19/01/2001 - 8:00
Vai um megawatt aí? O mercado de energia está longe de funcionar assim, mas, exageros à parte, a americana Duke Energy quer mesmo se transformar numa das maiores empresas da área no Brasil, gerando e comercializando eletricidade para todo tipo de consumidor ? das indústrias ao cliente residencial. Dona de faturamento global de US$ 22 bilhões por ano, a companhia já investiu no País mais de US$ 1 bilhão, aplicados principalmente na aquisição da Paranapanema, complexo de oito usinas hidrelétricas de São Paulo e Paraná. O negócio serviu como passe da Duke à posição de fonte de 6% do total da energia produzida aqui.
Mas os planos têm voltagem mais alta. Com as mudanças que vêm sendo feitas no setor elétrico brasileiro, a Duke quer também ser a número 1 na comercialização de energia. O novo modelo, que prevê para até 2003 a abertura total do mercado, garantirá ao consumidor liberdade para escolher a empresa prestadora de serviços de eletricidade e as condições do contrato ? preço, qualidade, etc. Para começar a firmar posição na venda de energia, a companhia desenvolveu um site com informações sobre a desregulamentação do setor e a empresa. ?Em três anos, queremos comercializar 100% de nossa produção pela Internet?, adianta Dulaney.
Para o Brasil estão sendo destinados os maiores volumes de investimento do grupo?, garantiu o presidente Michael Dulaney. Razão de tanto interesse? A demanda prevista de energia para 2001 subirá entre 6% e 8%. Nos Estados Unidos, esse porcentual tem oscilado, nos últimos tempos, entre 2% e 2,5%. Para este ano, a matriz reservou, como aperitivo, US$ 400 milhões na construção de três termoelétricas. A primeira usina começa a ser erguida nos próximos meses em Pederneiras (SP) e as demais, resultado de uma joint-venture de mais de US$ 110 milhões com a Petrobras, deverão entrar em operação em 2001. ?Estamos atentos a qualquer negócio que possa ampliar nossa atuação?, ressalta Dulaney. Ou seja, nada impede que a Duke Energy reforce o caixa da subsidiária para novos projetos. Segundo o executivo, a atenção deverá se voltar às privatizações que vêm por aí ? Cesp Paraná, Furnas Centrais Elétricas e Copel. ?Dependendo das condições, vamos brigar por essas empresas?, acrescenta.