06/10/2000 - 7:00
O gigante nunca esteve tão vivo. Com investimentos de US$ 926 milhões a serem feitos até o final de 2001, a Dow Química, maior indústria petroquímica do planeta, volta suas baterias para o mercado brasileiro. Em dezembro, inaugura duas plantas industriais no pólo petroquímico de Bahía Blanca, na Argentina, e reforça suas operações na fábrica do Guarujá, no litoral paulista. Com essa estratégia, a companhia pretende no próximo ano dominar 50% do mercado brasileiro de polietileno. ?A meta é exportar da Argentina para o Brasil 150 mil toneladas de polietileno por ano?, disse à DINHEIRO o presidente da Dow para Argentina e Chile, Oscar Vignart. Esta estratégia assusta os produtores nacionais. Eles temem que a multinacional americana adquira vantagens competitivas através dos acordos em vigor do Mercosul, que poderão redundar em preços entre 8% e 10% menores que os praticados no mercado. Toma corpo, a partir de indústrias como a OPP Petroquímica e a Politeno, uma articulação para denunciar a Dow na lei anti-dumping.
Na manhã da quinta-feira, 5, executivos do setor estiveram no Ministério do Desenvolvimento, em Brasília, para iniciar um processo de pressão que promete ser longo. A técnicos, apresentaram documentos sobre a estratégia de abordagem do mercado brasileiro pela Dow argentina, e solicitaram um acompanhamento especial de seus movimentos. O que se pretende, no final das contas, é barrar a importação do polietileno, a exemplo do que já foi feito com o frango, calçados e produtos têxteis. A preocupação é que a Dow feche o cerco às indústrias nacionais, a partir de vendas feitas de Bahía Blanca e do Guarujá, onde fabrica poliestireno.
Com 44 anos de presença no Brasil, a Dow ainda não teve por aqui o mesmo comportamento agressivo em relação ao mercado que costuma adotar em outras partes do mundo. Nos planos da companhia, a prioridade dos últimos dez anos foram investimentos na Ásia e na Europa. Na Alemanha, a empresa comprou toda a indústria estatal petroquímica. Agora, o momento é o Brasil. Em agosto, um novo presidente assumiu o comando da Dow brasileira. O administrador de empresas Eduardo Senise ainda não concedeu nenhuma entrevista, mas uma parte do que está por vir já transparece. A Dow avança em tratativas com a Basf para uma associação com vistas a produzir matéria-prima para fabricação de estireno. O mercado também dá como cada vez mais certa a participação da companhia no leilão da Copene, no pólo de Camaçari, cujas bases foram divulgadas pelo Banco Central na quarta-feira, 4, depois de mais de dois anos de impasse.