29/11/2006 - 8:00
A venda da corretora Ágora, a maior do País em transações na Bovespa e na BM&F, era uma notícia aguardada há anos pelo mercado. Quando finalmente se concretizou, na semana passada, o negócio saiu bem diferente do script imaginado. Ao elevar sua participação no capital da corretora carioca de 23% para 53% ? em uma troca de ações de valor não divulgado ?, o Grupo Opus, liderado pelo ex-Pactual Eduardo Plass, tornou-se seu maior acionista. Selmo Nissenbaum, o antigo controlador, segue tendo a maior posição societária individual e comandando o dia-a-dia da empresa. Não há um grande banco de varejo por trás da transação. Nem uma debandada da equipe que fez da Ágora a líder do setor à custa de uma polêmica política de preços primeiro denunciada e depois copiada pela concorrência. ?Quem dizia que estávamos engordando o porquinho para vendê-lo mais caro vê agora que estava enganado?, disse Nissenbaum à DINHEIRO. ?Nenhum dos sócios saiu. Pelo contrário, estamos fazendo uma aposta na capitalização da empresa para avançar no mercado.?
A primeira e mais ousada tacada da Ágora, uma corretora de meros dez anos de idade em um mercado de veteranos, foi a adoção da chamada corretagem fixa em operações de auto-atendimento (tipicamente o sistema home broker). Ou seja, a cobrança de um mesmo preço (em torno de R$ 20) para quem compra R$ 100 ou R$ 1 milhão em ações. Subverteu, assim, a famosa tabela de corretagem. Para valores acima de R$ 5 mil, por exemplo, cobrava-se 0,5% da operação. Dizia-se que a Ágora estava comprando participação de mercado, que as contas não fechariam e que um grande banco (falava-se sobretudo no Santander) a compraria.
Com o passar do tempo, quase todos os home brokers adotaram a corretagem fixa, modelo em que é preciso ter volume muito grande de ordens de compra e venda para ser lucrativo. Nesse cenário e diante da perspectiva de abertura de capital da Bolsa de Valores (que deixará de ser uma espécie de clube de sócios-corretores), a expectativa é de que o mercado seja tomado por fusões de corretoras. Por trás do aumento de capital da Ágora estaria, portanto, o imperativo de ganhar musculatura para enfrentar essa concorrência. ?Muitos corretores só estão esperando vender seus títulos patrimoniais (alguns negociados na semana passada por R$ 3,6 milhões) para sair do negócio?, diz um profissional da própria Ágora. ?O Selmo prefere ter 20% de uma empresa de R$ 1 bilhão do que 40% de uma de R$ 100 milhões.?
Uma das idéias, agora, é vender produtos da Opus (fundos de investimento e de previdência). Desse modo, equilibra-se o jogo, por exemplo, com a rival Fator, que já tem uma empresa de gestão de recursos e um banco de investimento por trás. E com a corretora do Credit Suisse, que já aparece muito forte no ranking da Bovespa ? na frente da própria Ágora na relação dos maiores em outubro. ![]()