14/11/2007 - 8:00
Há um forte movimento no mercado de telefonia que promete mudar para sempre o perfil desse setor. Com ele, a distinção entre telefone móvel e telefone fixo desaparecerá e cederá lugar a apenas um aparelho híbrido. Vivo, TIM, Oi e Embratel já entraram na onda, mas por caminhos diversos. A TIM lançou o TIM Casa Flex, um aparelho móvel com chip que comporta dois números (um para celular e outro para fixo). Quando o cliente estiver dentro da área de seu endereço de habilitação, ele poderá ligar usando o aparelho como se fosse um fixo. Ao sair da área cadastrada, só funciona o celular. Na Vivo, o que se compra não é exatamente um equipamento híbrido, e sim um plano de minutos válido, com preços competitivos nas ligações entre celular e fixo ? batizado de Vivo Casa Livre. O terceiro modelo à venda é Oi Flex. É preciso comprar um kit,composto por um aparelho móvel (Motorola V3 Black) e um ponto de acesso, que permite a conexão com a linha fixa.
Os modelos são diferentes, mas todos miram naquilo que deverá ser o futuro das telecomunicações: a convergência. ?A tendência mundial é a convergência de redes. Finalmente, entramos nesse processo?, diz Julio Puschel, analista do Yankee Group
Essa movimentação começou com data e hora marcadas. Em maio, a Anatel, a agência reguladora, concedeu uma licença para a TIM explorar a telefonia fixa. Isso feito, o setor começou a mexer as suas peças. ?Lançamos o Vivo Casa Livre porque queremos dar mais conforto e simplificar a vida do cliente. Tínhamos esse plano desenvolvido há meses?, afirma Roger Sole, diretor do segmento premium da Vivo. Os especialistas concordam que, nessa disputa, é necessário cuidado na abordagem do tema.
?Não é possível simplesmente declarar o fim da linha fixa?, diz Eduardo Tude, diretor da consultoria Teleco. O raciocínio é simples. Metade da Vivo pertence à Telefônica. A Oi é a própria Telemar ? e ambas são empresas de telefonia fixa. Para as operadoras, então, embalar a estratégia em campanhas decretando o fim da linha fixa não faria o menor sentido. Vivo e Oi não vão caminhar por aí .
A única com mais liberdade de ação, nesse caso, é a TIM e, por isso, possui o lançamento mais arrojado. ?O produto é inovador. Quem precisar de outro telefone em casa é só comprar um pré-pago por R$ 9,90?, diz Marco Lopes, diretor de marketing da TIM. Tude, da Teleco, analisa as estratégias das empresas. ?A TIM quer morder o seu pedaço no mercado das fixas. Já a Vivo faz um movimento defensivo, oferecendo um plano de minutos para se manter competitiva nessa disputa?, afirma Tude. ?A Oi, por sua vez, busca o cliente do orelhão e da Brasil Telecom?, completa. Em comum a todos, há um ponto: é hora de surfar na onda das tecnologias convergentes e, se possível, roubando o cliente do vizinho.