Ninguém entendeu muito bem a presença de um quiosque de fast-food em meio aos estandes da Telexpo, a feira do setor de telecomunicações. Não era para estar na área reservada às lanchonetes? Não nesse caso. Pela primeira vez no Brasil testava-se o conceito de auto-atendimento wireless (sem fio). Por meio de totens eletrônicos espalhados pela feira, o visitante podia, por exemplo, pedir um sorvete, fazer o pagamento via transferência eletrônica e, quando chegasse ao quiosque, a atendente já estaria com seu ?sundae? na mão. O sistema foi desenvolvido em parceria com a operadora BCP, que disponibilizou sua rede digital de tráfego de dados. ?Já existem várias aplicações como essa nos EUA?, diz Daniel Lassalvia, consultor de negócios da BCP. A Telexpo serviu de experiência para um modelo de vendas no varejo que deve, em breve, ganhar as ruas brasileiras.

A feira se transformou nesta edição 2003 em campo de
testes para várias tecnologias, em arena para a conclusão de parcerias e num imenso palco para o fechamento de acordos milionários. Segundo os organizadores do evento, a Telexpo 2003, encerrada na sexta-feira 28, gerou negócios da ordem de
R$ 4 bilhões. Das 500 empresas participantes da feira, 17%
fecharam algum tipo de transação durante o evento. A Samsung firmou parceria com a Promon para desbravar o segmento de banda larga (internet em alta velocidade) no Brasil. A coreana vai produzir o equipamento necessário para a instalação do sistema e a Promon ficará responsável pelo serviços. As duas poderão vender um pacote completo para as operadoras. Já a Brasil Telecom, prestes a entrar no mercado de celulares, anunciou uma aliança com as americanas Convergys e Amdocs para usar softwares especializados em cobrança de faturas telefônicas. E a U.S. Robotics contratou a Solectron para produzir em São Paulo seus modems digitais. Vai investir US$ 1 milhão na empreitada.

Outra que partiu para a produção
local foi a Avaya. De olho no
mercado de telefonia corporativa
? que movimenta US$ 600 milhões ?
a líder no segmento de call center fechou contrato com a Celestica
e vai produzir placas de PABX. Quer oferecer serviços como teleconferência e correio de voz. ?Vamos baixar os preços e atrair o cliente de pequeno porte?, diz Vanderlei Rigatieri, presidente da Avaya.

Entre os fabricantes de celulares, os investimentos se multiplicam. A Motorola reservou US$ 4 milhões para ampliar em 20% sua produção em Jaguariúna. Hoje, a companhia é dona de 8,5 milhões de aparelhos no País. A expectativa dos fabricantes é de que as vendas totais de celulares aumentem em até 30% este ano. Em abril, a empresa lança o celular Remix
(R$ 799). Permite que o usuário seja uma espécie de DJ e realize experiências musicais através do aparelho. Quem também surgiu na feira com novidades foi a Samsung. Apresentou o Twist, com câmera embutida e que permite ainda criar um álbum de fotos digitais dentro do celular. ?A idéia é lançar cinco aparelhos em 2003?, diz Oswaldo Melo, diretor da Samsung. Sua compatriota LG tem planos mais ambiciosos: quer triplicar o faturamento até 2006. A arma é investir pesado no lançamento de vários aparelhos. ?Vamos fechar o ano com vendas de um milhão de celulares?, promete Carlos Melo, diretor de tecnologia da LG. A briga vai ser boa.