A economia americana criou mais empregos do que o esperado para fevereiro, sinal de que o país resistiu aos problemas climáticos ao continuar abrindo postos de trabalho. A economia americana criou 175.000 postos em fevereiro, enquanto os analistas previam, numa previsão média, novos 163.000 novos empregos – segundo as estatísticas oficiais do departamento do Trabalho publicadas nesta sexta-feira. A taxa de desemprego conheceu uma leve alta (+ 0,1%), ficando em 6,7%. Este aumento pode ser explicado pelo retorno ao mercado de trabalho de pessoas que, até o momento, estavam desmotivadas a procurar um emprego e, por isso, não eram contabilizadas como desempregadas. “Apesar da tempestade de neve gigantesca que atingiu a costa leste (…) o ritmo da criação de empregos foi acelerado com relação a dezembro e janeiro”, comemorou a Casa Branca, segundo um comunicado do conselheiro econômico Jason Furman. Em dezembro e janeiro, a economia criou apenas 129.000 e 75.000 empregos, respectivamente, num momento em que as condições climáticas já eram bastante desfavoráveis. A maior parte dos economistas se mostrou positivamente surpresa com a alta nas atividades. “O rigoroso inverno que tivemos pareceu ter menos impacto do que o esperado na criação de empregos nas empresas americanas”, comentou Chris Williamson, da revista especializada Markit. O ritmo da criação de empregos “é ainda mais impressionante do que a atividade ter sido afetada pelo clima”, disse Paul Ashworth, economista-chefe da consultoria Capital Economics. O impacto das condições meteorológicas pode, na verdade, se ver através do leve recuo da jornada semanal de trabalho (34,2 horas contra 34,3). As estatísticas mensais de emprego mostram também que mais de 600.000 pessoas não conseguiram ir ao trabalho função do mau tempo, quase o dobro do observado num mês de fevereiro normal. Os prudentes esperam pelo 2o. trimestre “Se a economia conseguiu gerar 175.000 novos empregos num mês com condições climáticas difíceis, uma vez que o tempo voltar ao normal, o crescimento de empregos vai acelerar ainda mais”, prevê Paul Dales, economista da Capital Economics. Chris Williamson foi mais cauteloso, lembrando que a média dos novos empregos obtida nos três últimos meses – 129.000 – “é a menor desde julho de 2012”. “Será preciso esperar até o segundo trimestre para ter uma ideia clara da evolução da atividade”, explicou. A retomada surpresa na criação de empregos em fevereiro – impulsionada pelo setor de serviços – parece, de qualquer forma, ter dado a garantia que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) precisava para encontrar o caminho rumo à redução de sua ajuda à economia americana. “É quase a garantido que o Fed irá diminuir ainda mais suas compras de ativos na próxima reunião do órgão, em março”, afirmou o economista Paul Dales. Desde dezembro, o Fed reduziu pela metade os 10 bilhões de dólares de compras mensais de títulos do tesouro e títulos apoiados em créditos hipotecários para levá-los a 65 bilhões de dólares. O Comitê de Política Monetária (FOMC) indicou querer continuar a reduzir “a passos lentos” essas injeções de ativos destinados a puxar as taxas de juros para baixo e encorajar a retomada. “Após este relatório sobre o emprego, nada mais impede uma outra redução de 10 milhões de dólares” na próxima reunião prevista para 18 e 19 de março, garantiu Harm Bandholz, economista-chefe do setor de Estados Unidos do grupo financeiro Unicredit. Na contra-corrente, muitos pensam que o Fed vai abandonar sua referência numérica às taxas de desemprego (6,5)%) para indicar um teto a partir do qual poderia pensar em aumentar novamente as taxas de juros. O Fed não parou de prometer que as taxas ficariam perto de zero “bem depois” da baixa na taxa de desemprego em 6,5%. A presidente do Fed, Janet Yellen, lembrou nesta quarta-feira que, se a economia continuasse recebendo reforços, ainda estaria “bem longe” do objetivo de pleno emprego do Fed. “Muitos americanos ainda não encontram empregos ou são forçados a trabalhar meio-período”, ressaltou. vmt/sl/bdx/mm