Os espanhóis foram às urnas no dia 20 de dezembro em meio a um panorama econômico relativamente melhor em comparação ao final de 2011, quando os conservadores chegaram ao poder, mas com questões pendentes, como o alto desemprego e a elevada dívida pública.

Em dezembro de 2011, quando Mariano Rajoy assumiu a presidência após oito anos de poder socialista, a Espanha estava no limbo.

O estouro da bolha imobiliária em 2008 freou o setor de construção, motor do crescimento nos anos 2000, e fez estremecer o setor bancário, enfrentando numerosos casos de pagamentos não honrados por famílias e empresas impactadas pela crise que não podiam honrar suas dívidas.

O país estava em recessão; a taxa de desemprego passou de 8,57% em 2007 para 22,6% em 2011, com mais de cinco milhões de pessoas desempregadas. As regiões e o Estado central se afogaram em dívidas.

Os conservadores do Partido Popular (PP) de Rajoy acentuaram a política de austeridade iniciada pelos socialistas em 2009. Aplicando severos cortes nos gastos públicos, aumentando impostos e congelando salários no serviço público, dizem ter salvo 150 bilhões de euros (165 bilhões de dólares) entre 2011 e 2014.

Também se gabam por terem evitado um resgate econômico global da Espanha, similar ao da Grécia e de Portugal, e limitá-lo a uma ajuda europeia de 41,3 bilhões de euros destinada ao setor bancário.

Após cinco anos em recessão e estagnação, a quarta economia da zona do euro retomou o crescimento em 2014 com uma expansão de 1,4% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Para 2015, prevê uma progressão de 3,3% acima de seus principais sócios europeus.

Um reforma no mercado trabalhista em 2012 reduziu os custos de demissão para limitar a dualidade existente entre os contratados temporários e os indefinidos. Setores como o automobilístico, que geram aproximadamente 10% do PIB nacional, aceitaram salários mais baixos para novos contratos e inclusive semanas trabalhísticas de sete dias.

Como resultado, o custo da mão de obra no setor industrial e comercial na Espanha era de 21 euros no segundo trimestre de 2015, segundo o instituto de estudos econômicos Rexecode, contra 36 euros na França e 34 na Alemanha.

Dessa forma, as empresas espanholas ganharam em competitividade no mercado exterior e suas exportações cresceram em um quarto desde 2007.

A taxa de desemprego caiu após alcançar um máximo de 25,93% no primeiro trimestre de 2014 e o consumo das famílias foi reativado. É a demanda interna, tanto das famílias quanto das empresas, que puxa o crescimento, apoiado pelas baixas taxas de juros do Banco Central Europeu.

Outros fatores externos, como a queda do preço do petróleo e a desvalorização do euro, possibilitaram essa recuperação.

Para os economistas, a Espanha está em um bom caminho, mas longe de resolver todos seus problemas. A taxa de desemprego no terceiro trimestre de 2015 era de 21,18% e inúmeras pessoas já desistiram de encontrar trabalho.

“A qualidade do emprego criado é questionável”, afirmam os analistas da entidade financeira Bankinter, e normalmente precário e de tempo parcial. Foi no setor de serviços, ajudado pelo turismo (11% do PIB), onde foram recuperados mais postos de trabalho, muito à frente da construção e da indústria.

Além disso, o número de desempregados só foi reduzido em 436 mil pessoas na legislatura de Mariano Rajoy, de um total de 4,8 milhões.

Quanto ao PIB, a riqueza prévia à crise ainda não foi recuperada: 1,058 bilhão de euros em 2014 contra 1,116 bilhão em 2008.

A dívida pública da Espanha cresceu em até 99,3% do PIB no terceiro trimestre e a Comissão Europeia não acredita que Madri possa cumprir seus objetivos de dívida e déficit público este ano.

Também não foi resolvido o eterno problema do sistema educativo, com uma taxa de reprovação escolar de 22%, um recorde dentro da União Europeia, e uma falta de treinamento para reciclar aqueles que estão desempregados.

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