07/07/2016 - 14:28
O deputado Eduardo Cunha renunciou entre lágrimas nesta quinta-feira à presidência da Câmara dos Deputados, concluindo um polêmico mandato durante o qual autorizou o julgamento político da presidente Dilma Rousseff e depois de ter sido acusado de cobrar subornos bilionários.
“É público e notório que a Casa (Câmara dos Deputados) está acéfala, fruto de uma interinidade bizarra. Somente a minha renúncia poderá por fim à essa instabilidade sem prazo. A Câmara não suportará esperar indefinidamente”, declarou o deputado à imprensa ao ler sua carta de renuncia com a voz embargada.
Arquiteto do impeachment e antagonista do PT de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cunha disse que ficou sem margem para continuar, já que se sente perseguido por ter aberto o processo de destituição contra Dilma.
Acusado de manipular os regulamentos da câmara a seu favor de ter recebido ao menos cinco milhões de dólares em subornos para facilitar negócios na Petrobras durante uma década, o deputado legislador evangélico ultraconservador que dominou a agenda política do país também bloqueou boa parte das iniciativas do PT.
“Sofri e sofro muitas perseguições em função das pautas (de votação na câmara). Estou pagando um alto preço por ter dado início ao impeachment. A principal causa de meu afastamento reside nesse processo de impeachment”, declarou, por várias vezes sem conseguir controlar a emoção.
“A história fará justiça à coragem que teve a Câmara de Deputados sob minha condução, de abrir o processo de impeachment que terminou com o afastamento da presidente tirando o país do caos”, assinalou, antes de se retirar sem responder a perguntas.
O Conselho de Ética da Câmara recomendou em junho sua destituição por ter mentido a uma comissão parlamentar sobre suas contas secretas na Suíça.
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