25/03/2009 - 7:00

EXPLORANDO MINAS DE OURO, EIKE BATISTA levou vinte anos para construir um patrimônio de US$ 500 milhões. Nos últimos cinco, porém, ele multiplicou sua fortuna por treze. Surfando na onda dos IPOs, ele foi capaz de vender a preço de ouro seus projetos futuros e se tornou o homem mais rico do Brasil, com cerca de US$ 7,5 bilhões. Com empresas ainda “na planta” de petróleo, mineração, energia e logística, Eike estava se tornando o símbolo de um novo capitalismo brasileiro, em que empresários modernos financiariam suas ideias no mercado de capitais – e não mais nos canais oficiais do Estado. Mas veio a crise, o mundo mudou e Eike acompanhou a mudança. Na semana passada, ele vendeu um naco de uma de suas empresas – a LLX, de logística – ao BNDESPar. A empresa de participações do banco pagará cerca de R$ 150 milhões por 12% da empresa e fornecerá os recursos necessários para a construção de um porto no Rio de Janeiro. No aumento de capital, ele aceitou vender por R$ 1,80 uma ação que, há pouco mais de um ano, era negociada em bolsa a cerca de R$ 5,50. O anúncio foi feito na segunda-feira 16, quando Eike vistoriava as obras ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral. Embora o comércio mundial esteja vivendo a maior retração desde os anos 30 e a movimentação de cargas esteja caindo 25% no Brasil, Eike aposta que conquistará clientes de outros portos, uma vez que a LLX integra seu terminal a um grande distrito industrial. “Só os mais eficientes sobreviverão”, disse ele.

SÉRGIO CABRAL E EIKE: governador do Rio e o empresário, nas obras do megaporto do Açu
Dois dias antes do anúncio do aporte oficial à LLX, Eike deu uma entrevista ao jornal O Globo, onde fez elogios ao BNDES. “O Brasil tem um modelo que todos querem copiar e tenho certeza de que os Estados Unidos sonham em ter um BNDES como o nosso lá”, disse ele. Essas declarações revelam um novo Eike. Até bem pouco tempo, ele destacava em conversas reservadas o fato de ter conseguido quebrar dois monopólios: o da Petrobras e o da Vale. Com executivos de ponta fisgados nas duas empresas, ele montou seus principais projetos: a OGX, de petróleo, e a MMX, de minério. Mas o novo Eike, assim como os velhos capitães da indústria nacional, está cada vez mais ligado aos canais tradicionais do poder. A tal ponto que, com uma doação de R$ 1 milhão, ele se tornou o maior patrocinador privado do filme Lula, o filho do Brasil, do cineasta Luiz Carlos Barreto.
De todo modo, a aproximação com o establishment pode vir a fazer bem aos negócios de Eike. Num relatório distribuído aos clientes, o analista Ivan Fadel, do Credit Suisse, apontou a entrada da BNDESPar na LLX como um fator positivo não apenas pela injeção de capital, mas também pelo fato de tornar o BNDES um interessado direto em financiar os projetos da empresa. O presidente da LLX, Ricardo Antunes, diz que conta com 66 memorandos de empresas interessadas em se instalar no distrito industrial do porto que, segundo ele, pode vir a ser maior até do que o terminal de Santos, o maior do País. A queda do comércio global também não o preocupa. “Este não é um projeto para hoje ou amanhã, mas para os próximos 50 anos.” Segundo o governador Sérgio Cabral, a região do Açu, onde está sendo erguido o porto, será a “oficina do pré-sal”.
A fortuna pessoal de Eike Batista hoje é de US$ 7,5 bi, mas se os analistas de ações estiverem certos, ela deve crescer muito mais nos próximos meses, com a valorização das suas empresas |
A aproximação com o BNDES pode vir a favorecer também outras empresas da EBX, a holding de Eike Batista. É nisso que aposta o analista Sérgio Tamashiro, do Itaú. Ele acompanha diretamente os negócios da MPX, uma empresa de energia térmica que lançou seus papéis a mais de R$ 1 mil e hoje vem sendo negociada com desconto superior a 80%. “É papel do banco ajudar empresários que estão apostando em infraestrutura”, diz ele. No IPO, a MPX anunciou 10 projetos de usinas movidas a carvão, mas apenas três vingaram, estão em construção e já têm garantia de venda de energia a partir de 2012 – duas no Ceará e uma no Maranhão. As outras, por ora, estão engavetadas. “O mercado não está mais pagando por projetos”, diz Tamashiro. Apesar disso, ele diz que a empresa ainda está barata e pode dobrar de valor até o fim do ano.
Ao todo, as quatro empresas de Eike Batista listadas na Bovespa – OGX, MMX, MPX e LLX – valem cerca de R$ 22 bilhões. A participação dos atuais acionistas controladores é próxima a R$ 15 bilhões. Mas, se os analistas de mercado estiverem corretos, a fortuna de Eike Batista poderá crescer muito mais nos próximos anos. Na média, eles projetam um potencial de valorização de 50% para OGX, de 220% para a MMX, de 115% para a MPX e de outros 160% para a LLX. Além de bom vendedor de projetos futuros, Eike está passando no teste da execução das obras. Especialmente agora que ele tem como sócio o poderoso BNDES.