21/11/2007 - 8:00
Ela é um dos típicos casos em que as aparências enganam. E muito. Pequena, com o olhar sereno e de fala mansa, a paulista Fernanda de Lima comanda uma equipe de 150 funcionários somente em São Paulo, em sua grande parte homens, que vivem diariamente a rotina alucinante do mercado financeiro pilotando os terminais nas mesas de operações. Desde que assumiu, há um ano, a presidência da Gradual, Fernanda tem um objetivo claro: transformá-la em uma das principais corretoras do País. E, para isso, não mede esforços. Contratou profissionais de grandes concorrentes, como a corretora Ágora e o Banco Fator, e fez um investimento inicial de R$ 3 milhões em tecnologia. O objetivo é atender com eficiência à demanda atual de clientes e também os que estão por vir com a promoção do Brasil a grau de investimento. E seus planos não param por aí. Fernanda quer expandir a atuação da corretora no interior do Brasil e personalizar ainda mais o atendimento aos investidores individuais. O que para muitos pode parecer um grande passo, para Fernanda é só o começo. ?Estamos indo com calma, uma etapa por vez?, diz ela.
Seu Pai, Paulo César de Lima, fundou a corretora no início dos anos 90 juntamente com o sócio, Agostinho Renoldi Jr., que continua como um dos diretores. Com o falecimento de Lima, há pouco mais de um ano, Fernanda foi a única filha a assumir os negócios. Seus dois irmãos nunca se interessaram pelo mercado financeiro. Já ela, sempre respirou números. Formou-se em matemática e economia pela USP e começou a vida profissional trabalhando em um dos principais bancos de investimentos do mundo, o JP Morgan, em São Paulo. Estagiou por um ano na sede de Nova York e de lá foi transferida para a filial de Londres. Dos nove anos em que ficou na Europa, trabalhou um deles no banco Merrill Lynch, na parte de fusões e aquisições. ?Muitas das situações de compra de bancos que estamos vendo aqui hoje eu acompanhei de perto na Europa nos anos 90?, conta. Apesar da veia financeira latente, a família falou mais alto. O trabalho em excesso não deixava tempo para cuidar dos filhos, por isso, em 2000, Fernanda e o marido, o também economista Alessandro Tommasi, voltaram para São Paulo. ?Queria um desafio novo e resolvi montar um negócio do zero?, relembra. Aproveitando na época o boom da internet, criou o portal Infomoney, uma agência de notícias sobre mercado financeiro.
Do pai, Fernanda herdou a visão estratégica e a capacidade de ver além das oportunidades. ?Nos anos 90 só se falava em mercado institucional. Ninguém queria gastar tempo com pessoa física. E meu pai queria?, conta. Hoje, enquanto o mercado se deleita com a entrada do capital externo, Fernanda mantém o foco nos investidores individuais. ?O investidor de fora representa 35% do mercado, mas entra e sai rapidamente. Já a pessoa física é 24% e deve crescer para 26%, que é a participação que os bancos tinham há uma década. E é uma massa que precisa ser bem atendida?, pondera . Daí os pesados investimentos em tecnologia. ?É o coração da empresa. A corretora depende do funcionamento da tecnologia?, diz Eduardo Cano, diretor de TI da Gradual, que utilizou o sistema de service desk da Automídia como um dos pilares da reformulação da área na corretora.
Dinheiro para novos investimentos não deve ser problema. Na abertura de capital da Bovespa Holding, a Gradual vendeu 40% de sua participação e recebeu em troca R$ 26,8 milhões. Nessa nova fase do mercado, a concorrência deve apertar. Por isso, Fernanda quer aproveitar a onda positiva e desbravar o Brasil. Já possui 11 escritórios de representação e cinco filiais em diversos Estados. ?O mercado não está só em São Paulo, e sim no País como um todo. E é esse todo que nós queremos ?, diz.