Você já deve ter ouvido centenas de vezes que banco bom é aquele que oferece os produtos que você realmente nacessita, cobrando menos pelo serviço. Nada de errado até aí. É isso mesmo que você precisa pesar antes de escolher onde vai colocar seu dinheiro. O que está mudando é que a entrada de instituições estrangeiras no País aumentou a concorrência e, com isso, ter muitas agências, bom atendimento e taxas de juros menores não é suficiente. ?Isso todos têm obrigação de fazer?, diz Waldemar Petty, diretor de vendas do Citibank. ?Não temos que atender, temos que encantar o cliente.? Duvida? Então imagine receber em casa, no dia do seu aniversário, um buquê de flores ou uma caixa de chocolates. Ou ganhar uma pasta de couro, um conjunto de toalhas, uma frigideira ou um carro. Pode acreditar, esse marketing de relacionamento já é regra em muitos bancos.

O espanhol Bilbao Vizcaya Argentaria é um desses. A partir deste mês, quem comprar o HiperFundo participa de um sorteio mensal de um carro ? um Gol 1.0, 4 portas, com imposto e seguro de um ano pagos. Quem não for sorteado, pode levar uma frigideira para casa. A direção do BBVA vai sortear 5 mil desses utensílios domésticos. ?Queremos tornar mais pessoal nossa relação com o cliente?, explica Carlos Bebia, vice-presidente do Bilbao. A estratégia vai custar cerca de R$ 3 milhões por mês ao BBVA.

No Citibank, não é raro um correntista receber um convite para assistir a um show, participar de uma palestra ou um jantar. Por ano, esses mimos não custam menos do que US$ 500 mil ao banco, que prefere investir nesse marketing do que anunciar em horário nobre na televisão. ?Esses agrados garantem muito mais retorno do que campanha publicitária?, diz Petty. ?Quanto mais satisfeito, mais fiel ele será ao banco?, concorda Cláudia Pagnani, diretora de marketing do BankBoston, onde é norma presentear com uma pasta de couro os investidores mais ativos do private banking. Tudo bem, se sentir agradado faz mesmo muita diferença. Só não esqueça que os mimos são o que menos deve ter peso na escolha de um banco. ?O risco de um cliente que fica encantado é perder o senso crítico?, acredita Betty Kitner, diretora do site de finanças pessoais Financenter. Ou seja, cuidado para não cair na primeira conversa encantadora de alguém que só quer mesmo é conquistar o seu dinheiro.