09/12/2022 - 11:06
A recomendação recente do presidente francês, Emmanuel Macron, de dar “garantias” de segurança à Rússia foi tirada de contexto, afirmou nesta sexta-feira (9) a presidência da França, antes de uma conferência em Paris sobre a Ucrânia, na próxima terça-feira.
“Existe uma diferença entre o que algumas pessoas dizem ao tirarem parte de uma frase de contexto e a realidade do trabalho que realizamos, que está indo bem”, disse a fonte.
No começo do mês, Macron afirmou que era necessário dar “garantias” a Moscou para alcançar um bom equilíbrio, ao se referir à arquitetura de segurança que deveria ser reconstruída na Europa uma vez encerrada a guerra na Ucrânia. Essa arquitetura, construída pelos Estados Unidos e pela União Soviética e, posteriormente, pela Rússia, vem vacilando há anos.
A França insiste na necessidade de os europeus participarem das negociações de novos acordos sobre o controle de armas. “Um dos pontos principais é o medo (da Rússia) de que a Otan chegue às suas portas, a implantação de armas que possam ameaçá-la”, explicou Macron, ao lembrar reivindicações recorrentes de Moscou, 30 anos após a queda da União Soviética.
Personalidades da Ucrânia, que enfrenta desde fevereiro uma invasão russa, e autoridades do leste europeu expressaram descontentamento com as declarações, mas, segundo a presidência da França, Macron “apenas descreveu o que os próprios ucranianos pedem. Os ucranianos são os primeiros a quererem sair dessa guerra, e, ao fim de uma guerra, há uma negociação”, alegou o Palácio do Eliseu.
Paris irá sediar na próxima terça-feira uma conferência internacional “para a resiliência e reconstrução da Ucrânia”, que visa a garantir a sua resistência econômica em um período de guerra e a sua reconstrução a médio prazo. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, participará por videoconferência.
Além do secretário-geral da ONU, António Guterres, está prevista a participação de representantes de 47 países, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
