03/02/2010 - 10:02
O vírus H1N1 Influenza A, mais conhecido como gripe suína, gerou pânico e desencadeou uma corrida entre os laboratórios pela descoberta de um remédio eficaz contra a doença. A suíça Roche saiu na frente com o Tamiflu. Faltava, porém, um medicamento que atuasse nos casos severos da enfermidade. A resposta veio com o Peramivir, produzido pela americana BioCryst. Em meados de janeiro, o também americano Moksha8, comandado na América Latina pelo executivo Mario Grieco, conseguiu autorização para comercializar o produto no México. Grieco aguarda apenas o sinal verde da Anvisa, o órgão regulatório do Brasil, para fazer o mesmo por aqui. Sua ambição é repetir a dose em todos os demais países do continente. ?Com o Peramivir, será possível reduzir o número elevado de óbitos e o tempo de internação associado à doença, diminuindo a pressão sobre o sistema público de saúde?, aposta Grieco.
Mais do que uma droga revolucionária, o medicamento representa a oportunidade de a companhia, que no Brasil tem como sócia a Votorantim Novos Negócios, deslanchar de vez. Desde que começou a operar, em meados de 2008, a Moksha8 se limitou à administração do marketing e à venda de medicamentos consagrados, produzidos por grandes laboratórios. A lista inclui nomes como os tranquilizantes Valium e Lexotan e o antibiótico Bactrim (todos da Roche), além do Unasin e do Vibramicina, usados contra infecção e pertencentes à Pfizer. Agora, no entanto, o alvo de Grieco são remédios recém-chegados ao mercado ? e que oferecem enorme potencial de vendas.

A nova aposta: Grieco, presidente do laboratório, negocia a construção de fábrica no Brasil
A Moksha8 decidiu rever sua estratégia depois de crescer bem abaixo do que havia projetado no início de suas operações (leia quadro). O faturamento conjunto no México e no Brasil deve atingir US$ 200 milhões em 2010. ?A venda de medicamentos tradicionais depende do grau de fidelidade dos consumidores de alto poder aquisitivo à marca?, avalia Maria Luisa Woge, analista da consultoria Frost & Sullivan. Grieco defende o seu modelo de negócio. ?Conseguimos ampliar entre 5% e 10% as vendas de produtos que estavam estagnados ou em queda?, garante. Além disso, ele pontua que essa estratégia ajudou a abrir as portas dos consultórios para a Moksha8. Grieco montou uma estrutura que privilegia fortemente o ?corpo a corpo? com os profissionais de saúde. Dos 100 funcionários, nada menos que 80 são propagandistas. Agora, o dirigente espera usar esse canal de divulgação para apresentar também drogas inovadoras. A lista deverá ser engrossada ao longo do biênio 2010-2011, especialmente em segmentos nobres como o de cardiologia, hemoderivados e drogas para o sistema nervoso central. Esses três mercados movimentam cerca de R$ 500 milhões por ano apenas no Brasil.

Para facilitar seu acesso a produtos inovadores, Grieco diz que vai ampliar as parcerias com companhias de biotecnologia associadas ao fundo de investimento Pacific Texas Fund, sua controladora e que dispõe de US$ 70 bilhões em investimentos em empresas do porte de Burger King, Continental e ByoCryst. O executivo diz que até o final do primeiro semestre de 2010 deverá anunciar outras parcerias. Os planos para o Brasil também incluem a instalação de um centro de pesquisa e uma fábrica que ficará encarregada de fornecer para todos os mercados nos quais a Moksha8 atua. Antes, contudo, Grieco terá de convencer os controladores da companhia de que o Brasil, e não a Índia, é o melhor local para investir centenas de milhões de dólares.