O escritório na avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos endereços mais movimentados de São Paulo, ainda é novo. Na sala da diretoria, a falta de decoração incomoda o principal executivo. ?Um quadro vai ser providenciado para aquela parede?, diz o espanhol Javier Gavilan, presidente global da International Meal Company (IMC), assumindo que falta uma identidade ao local.

O escritório, na verdade, reflete a atual situação da IMC, que comanda as redes de restaurantes Viena, focada em lojas de shoppings; Frango Assado, localizada em estradas; além da doçaria Brunella. Trata-se de uma companhia em busca de identidade e até de uma nacionalidade.
 

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Quer fazer um brinde?: Besalduch (frente) e Gavilan pretendem integrar suas empresas para se lançar novamente na bolsa
 

Com nome inglês, a empresa nasceu no México, ganhou um investidor norte-americano de peso, o fundo Advent ? que no mundo administra US$ 24 bilhões em ativos ? e adquiriu restaurantes em Porto Rico e na República Dominicana. Mas foi no Brasil que o negócio mais prosperou. ?O País é hoje responsável por 75% dos negócios da IMC?, destaca o também espanhol Enric Besalduch, presidente da empresa aqui.

Além das marcas já tradicionais, também abastece companhias aéreas nos aeroportos de Congonhas (SP), Salgado Filho (RS) e Confins (MG) por meio do Grupo RA Catering. ?Em três anos, investimos R$ 600 milhões no Brasil e vamos aplicar mais R$ 200 milhões até o fim de 2010?, diz Gavilan.

Esse dinheiro será usado na ampliação da rede e na reforma dos restaurantes. Afinal, os resultados começaram a aparecer. Com dez milhões de refeições servidas por mês, a IMC faturou R$ 528 milhões em 2009, crescimento de 50% desde que assumiu as operações em 2007. Para este ano, a expectativa é crescer 20%.
 

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Menu em destaque: o Viena e a RA Catering ajudam a fornecer dez milhões de refeições mensalmente

Mas a companhia tem uma barreira pela frente. Suas marcas são muito diferentes umas das outras e as suas operações não são complementares. Os executivos sabem dessa questão. Tanto que recentemente, a IMC iniciou  mudanças. O Viena, por exemplo, deixou de focar apenas em shoppings, foi para aeroportos, para a estrada e se internacionalizou, com a abertura de uma unidade em Porto Rico.

Já a Brunella ganhou quiosques tanto dentro do Frango Assado como do Viena. Mas ainda há um longo percurso a percorrer. ?Não será nada fácil unir as três marcas. Elas têm posicionamentos totalmente diferentes?, diz Paulo Sérgio Quartiermeister, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Enquanto isso não acontece, a estratégia é fortalecer a holding IMC. Toda a diretoria executiva passou a ser sediada em São Paulo e, a partir da capital paulista, pretende conquistar mais mercados latinos. ?Queremos ser referência em comida fora de casa na América Latina, sempre como uma brasileira?, diz Gavilan.

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O desafio vai  além, está ligado ao nome e desempenho da companhia. A IMC sentiu isso quando lançou seu IPO (oferta pública de ações, na sigla em inglês), no fim do ano passado. Os executivos esperavam que o valor de cada ação atingisse algo entre R$ 14 e R$ 17, mas o mercado não acompanhou a expectativa e os valores foram revistos para entre R$ 11 e R$ 14.

Na visão dos investidores, a IMC parece um grupo de várias empresas separadas e não um grupo empresarial integrado. Diante disso, a empresa retirou a oferta do pregão. ?Foi bom que isso tenha ocorrido. O mercado estava ruim naquele momento?, diz Gavilan. Caio Pires, analista do setor de alimentos da Lafis Consultoria rebate a afirmação. ?O mercado de alimentação fora do lar estava especialmente aquecido  em 2009. Mesmo com crise, a alta foi de 7% contra os 3% de  alimentos e bebidas em geral. O segmento, definitivamente, não estava ruim?, diz.

 

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