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Ao cunhar o termo “países emergentes” no início dos anos 80, o investidor e consultor Antoine Van Agtmael destacou o potencial de crescimento do Brasil sem deixar de ressaltar a nossa principal deficiência: a educação. Hoje, quase três décadas depois, o País tem uma oportunidade única de crescer de forma sustentável, mas não conseguiu, assim como temia Van Agtmael, melhorar o seu padrão educacional, o que pode comprometer o tão sonhado salto no PIB. As empresas, desesperadas por mão de obra qualificada, acordaram e começam aos poucos a estabelecer parcerias com o setor público para aumentar a qualidade do ensino.

No final de 2008, a FedEx, gigante americana do setor de entregas expressas, criou em parceria com a ONG Junior Achievement, o programa Nosso Mundo, que tem como objetivo oferecer oportunidade de integração do mundo empresarial com a sociedade por meio da escola. O programa já trabalhou com 120 crianças de escolas públicas da cidade de São Paulo. “Nossos funcionários atuam como agentes multiplicadores, relatando a própria experiência aos alunos”, afirma Guilherme Gatti, diretor de marketing e comunicação corporativa da FedEx para a América Latina. “Com exemplos práticos do dia a dia, transmitimos conhecimento e ajudamos a formar os profissionais do futuro.”

O programa Sala de Aula Conectada, da Dell, já atendeu 26 escolas do governo de São Paulo

Além de trabalhar com o público jovem e em fase escolar, a FedEx também desenvolve programas de capacitação para gestores de pequenas e médias empresas. “Com o potencial exportador brasileiro, deixar as pequenas e médias empresas de fora é um erro”, afirma Gatti. “Muitas dessas empresas não estão inseridas no comércio internacional porque seus administradores não estão capacitados.” Apesar das iniciativas, não há ainda nenhum programa da empresa direcionado à educação de base, embora a qualidade do ensino fundamental seja um dos principais problemas da má formação de mão de obra no Brasil. Gatti diz que a FedEx tem trabalhado com sucesso em países como México, Costa Rica e Argentina.”Não saberia dizer por que essa parceria não avança também no Brasil. Talvez seja uma questão cultural ou mesmo processual”, afirma o executivo. “O primeiro passo seria o governo brasileiro estabelecer regras claras e simples, que todas as empresas possam seguir.”

A percepção de que é preciso, urgentemente, cuidar da base educacional para que, lá frente, as empresas não sofram com a falta de profissionais capacitados fez com que a fabricante de equipamentos Dell também buscasse parcerias com o setor público. A Dell criou, em parceria com o governo de São Paulo, o programa Sala de Aula Conectada, que coloca à disposição de 26 escolas laptops e softwares com conteúdos específicos para treinamento de alunos e professores.

O déficit educacional não é apenas um fenômeno brasileiro – atinge quase todos os países latino-americanos. É o que constatou uma pesquisa realizada pelo Economist Intelligence Unit (EIU), que ouviu 192 altos executivos da região. Segundo o estudo, encomendado por duas empresas, a FedEx e a empresa de tecnologia Dell, o trabalhador latino-americano não está preparado para o mercado globalizado e competitivo dos dias de hoje. Segundo Gatti, a falta de mão de obra qualificada, se não for combatida rapidamente, terá um custo altíssimo para a economia brasileira e para outros países emergentes. “Continuaremos perdendo as oportunidades de negócios para a Ásia, que, além da grande força de trabalho, conseguiu aliar crescimento com qualificação da mão de obra”, afirma Gatti.

 

Salas de aula informatizadas: cuidando da educação para que as empresas não sofram com a falta de trabalhadores qualificados