29/08/2015 - 18:10
Vários milhares de manifestantes – 1.000 segundo a polícia, 5.000 de acordo com os organizadores – marcharam neste sábado em Dresden (Saxônia, leste da Alemanha) para dar as “boas-vindas” aos refugiados nesse estado regional, cenário de recentes incidentes xenófobos, registrou um jornalista da AFP.
Atrás de uma bandeira que dizia “Impedir hoje os pogroms de amanhã”, os manifestantes responderam assim a uma chamada da organização de luta contra a extrema-direita “Aliança Anti-Nazi”, protestando pacificamente, enquanto a polícia os acompanhavam em grande número.
O cortejo entoava: “Dizemos em alto e bom som: os refugiados são bem-vindos aqui”, enquanto a Saxônia, de onde Dresden é a capital, vivenciou vários incidentes graves contra os refugiados.
Além disso, Dresden é o berço do movimento islamofóbico Pegida (Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente), cujas manifestações chegaram a reuniu 25.000 pessoas em janeiro.
Em Heidenau, uma pequena cidade de 16.000 habitantes localizada poucos quilômetros ao sul de Dresden, foram registrados vários confrontos no fim de semana passado que terminaram com dezenas de feridos quando militantes de extrema direita que protestavam contra um centro de refugiados enfrentaram policiais.
Nesta pequena cidade, várias centenas de manifestantes provenientes da manifestação em Dresden se concentraram sem que tenha sido registrado nenhum incidente.
O Tribunal Constitucional federal alemão autorizou no meio do dia as concentrações em Heidenau, apesar da proibição em um primeiro momento pelas autoridades locais, atribuída à falta de efetivos policiais suficientes em caso de distúrbios.
Neste sábado, o policiamento era reforçado nos arredores do centro de refugiados desta cidade.
Segundo a agência DPA, o clima era cordial e tranquilo: os manifestantes dançavam com os refugiados na rua e não foi registrada nenhuma manifestação da extrema-direita.
Quarta-feira, a chanceler Angela Merkel escolheu Heidenau para fazer sua primeira visita a um centro de refugiados, onde foi vaiada por manifestantes de extrema-direita.
A Alemanha enfrenta um fluxo sem precedentes de refugiados, e espera a chegada de 800.000 requerentes de asilo em 2015.