Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Lula reitera a tese do crédito popular, ataca as amarras do ajuste fiscal impostas pelo mercado e defende que o endividamento público para infraestrutura amplia o ativo nacional.

Em meio às frequentes pressões do mercado financeiro por maior contenção de despesas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a marcar posição firme sobre a condução da política econômica do País. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o chefe do Executivo rejeitou a cartilha do ajuste fiscal estrito e defendeu com veemência que os investimentos em infraestrutura e políticas sociais não podem ser tratados pela métrica do custo, mas sim como indutores do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

A declaração sintetiza a visão macroeconômica que tem balizado as diretrizes da atual gestão: a tese da circulação de renda na base da pirâmide. “Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza de todos e muito dinheiro na mão de poucos é pobreza de todos”, sintetizou o presidente, ao defender que a irrigação do crédito popular gera um efeito multiplicador no comércio, na indústria de bens de consumo e na arrecadação tributária.

O debate sobre a dívida pública

Um dos pontos centrais da fala do presidente foi a distinção entre a natureza do endividamento público. Para Lula, o mercado comete um equívoco ao condenar a geração de déficit quando o recurso é destinado à criação de ativos permanentes para o País.

“Não tem nenhum problema você fazer uma dívida se você vai construir um ativo novo. Quando você faz uma dívida para construir uma estrada, um porto ou um aeroporto, você está aumentando o ativo desse país. O que você não pode é gastar dinheiro em custeio para pagar salário sem ter controle.”

Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República.

A argumentação visa rebater as críticas da Faria Lima ao volume de despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que projeta aportes de R$ 1,7 trilhão em infraestrutura e transição energética. Segundo a visão do Planalto, a responsabilidade fiscal não pode virar uma trava ao desenvolvimento, sob o risco de paralisar obras essenciais e sufocar a capacidade produtiva brasileira.

Confronto com o mercado financeiro

Ao analisar o comportamento dos agentes econômicos e das agências de risco, Lula criticou a cobrança constante por cortes rigorosos nas áreas sociais e na saúde. Segundo ele, governar exige escolhas orçamentárias que a Faria Lima costuma ignorar.

Indicador / PautaVisão do MercadoVisão do Governo
Meta FiscalDéficit zero estrito com corte de despesasFlexibilidade para preservar investimento público
Gastos com Educação/SaúdeCusteio a ser otimizado/limitadoInvestimento fundamental no capital humano
Crédito PúblicoRisco de distorção de taxas e inflaçãoMotor de consumo interno e desenvolvimento regional

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Ao encerrar o bloco econômico da sabatina, o presidente reiterou que continuará utilizando a máquina pública e o orçamento federal como ferramentas de inclusão social e crescimento. Indicando que a rota fiscal do governo continuará priorizando a expansão do investimento público, apostando no crescimento do PIB futuro como a principal via para a sustentabilidade das contas públicas.

Assista a entrevista do Presidente Lula ao Inteligência LTDA. na integra: