17/10/2014 - 21:04
Várias reuniões entre os líderes russo, ucraniano e europeus permitiram avanços nesta sexta-feira em Milão, particularmente no fornecimento de gás à Ucrânia, embora o conflito no leste do país esteja longe de uma solução.
Um acordo sobre o gás não foi selado entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Poroshenko, mas avanços foram anunciados.
“Posso dizer que conseguimos algum progresso, mas que detalhes ainda devem ser discutidos”, declarou nesta sexta-feira o presidente ucraniano ao final de uma terceira reunião com seu homólogo russo que durou cerca de doze horas. Esse encontro foi o primeiro face a face entre ambos desde agosto.
Houve progressos, mas não houve “resultados concretos”, reconheceu, ao se referir ao conflito energético que compromete as relações entre russos e ucranianos, e também entre russos e europeus. Poroshenko disse que espera um acordo definitivo sobre essa questão durante uma reunião na terça-feira em Bruxelas entre europeus, ucranianos e russos.
Já o presidente russo pediu antes da reunião que os europeus apoiem financeiramente a Ucrânia. O acordo sobre o fornecimento de gás russo se baseia em parte em um financiamento internacional, ainda a ser definido, para ajudar Kiev a pagar a sua dívida pelo gás de Moscou.
O presidente ucraniano já tinha falado de progressos após o seu segundo encontro com Putin, desta vez acompanhado pelo presidente francês, François Hollande, e pela chanceler alemã, Angela Merkel.
Após essa reunião, o presidente francês se mostrou moderadamente otimista, considerando que o acordo sobre o gás estava “agora realmente ao alcance das mãos”.
“É muito importante para os ucranianos e muito tranquilizador para os russos, que querem efetivamente ser pagos”, ressaltou.
Putin havia ameaçado na quinta-feira em Belgrado, onde foi recebido com todas as honras, cortar o gás neste inverno (hemisfério norte) caso um acordo não fosse alcançado rapidamente. Mas ele considerou que as conversas foram “boas”, mesmo sem se pronunciar sobre o conflito armado na Ucrânia.
Os europeus manifestaram o seu otimismo após esses encontros na capital lombarda, durante uma cúpula da Asem, fórum que reúne europeus e asiáticos.
Uma primeira mini-cúpula reuniu durante a manhã os presidentes russo, ucraniano, mas também Merkel, Hollande, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o chefe do governo italiano, Matteo Renzi, e os dirigentes da União Europeia, Herman Van Rompuy, e José Manuel Barroso.
Mas do ponto de vista do presidente francês “nada de essencial foi dito”. No entanto, durante a tarde, depois da reunião limitada aos líderes ucraniano, russo, francês e alemão, “houve mais avanços”, afirmou Hollande.
Ele também mencionou um acordo para acelerar as trocas de prisioneiros ucranianos e provenientes das fileiras separatistas pró-russas. “Há uma vontade comum respeitar o cessar-fogo” concluído no dia 5 de setembro entre esses combatentes no leste da Ucrânia, ressaltou.
A chanceler alemã também reconheceu que a mini-cúpula não tinha levado a avanços nas discussões.
Mas “houve uma aproximação em alguns detalhes”, acrescentou, referindo-se à vigilância das fronteiras por drones.
Um acordo foi concluído para a participação da Rússia no controle da fronteira entre russos e ucranianos com seus aviões não-tripulados. Putin confirmou essa informação nesta sexta após seu encontro com Poroshenko.
Considerando o encontro da manhã positivo, Cameron considerou importante que Putin tenha indicado claramente que não quer um “conflito permanente” e uma “Ucrânia dividida”, mas que deve agir para isso.
Apesar de todos os participantes dessas reuniões de Milão terem reconhecido a necessidade de manter os acordos de setembro, concluídos em Minsk – inclusive de um cessar-fogo -, sua aplicação é o problema.