18/01/2006 - 8:00
A exemplo de seus conterrâneos, o empresário mineiro Ricardo Rodrigues Nunes, de 36 anos, é do tipo que gosta de trabalhar em silêncio. E foi sem fazer alarde que ele transformou sua Ricardo Eletro ? que em 1989 não passava de uma lojinha de 20 metros quadrados no centro de Divinópolis (MG) ? em uma potência do varejo de móveis e eletrodomésticos. A rede possui 110 filiais em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, tem uma carteira de um milhão de clientes ativos e deve ingressar neste ano no seleto clube das companhias que faturam mais de R$ 1 bilhão. Nunes, porém, não pretende parar por aí. Absoluto em Minas, onde tem 67 pontos-de-venda contra 47 das Casas Bahia, ele já definiu seu próximo alvo: ?Vamos concentrar nossa expansão no Nordeste, região na qual as grandes empresas do setor, como Casas Bahia e Ponto Frio, ainda não operam?, conta. Apenas na Bahia ? cidade na qual desembarcou em 2004 com a aquisição das 13 lojas da Rede Romelsa e investiu cerca de R$ 20 milhões ? ele vai abrir 10 das 15 unidades previstas para 2006. O empresário também está de olho em oportunidades de negócios no Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
A estratégia da Ricardo Eletro é considerada acertada pelo consultor Claudio Felisoni de Angelo, coordenador-geral do Provar-USP. Segundo ele, a sobrevivência das redes regionais está nas cidades de porte médio, normalmente deixadas de lado pelas grandes cadeias varejistas. De acordo com Felisoni, os pequenos e médios comerciantes também acabam contando com a ?simpatia? da indústria, temerosa de ficar nas mãos de um reduzido número de revendedores. ?Meu sucesso é resultado do bom relacionamento com os fabricantes e a financeira Losango, que acreditaram no meu potencial?, resume o fundador da Ricardo Eletro. Além da ?mão amiga?, Nunes soube tirar proveito das dificuldades dos concorrentes. A guinada aconteceu em 1996, quando fincou sua bandeira em Belo Horizonte, enfrentando o ceticismo do mercado. ?Diziam que não duraria um ano na capital?, recorda. Estavam errados. Ele cresceu adquirindo pontos-de-venda das rivais Arapuã e Casa do Rádio e hoje é quem dita as regras naquele mercado. ?Fui o primeiro a implantar o conceito de megaloja em Minas?, gaba-se Nunes. A unidade, aberta no final de 2005, ocupa um espaço de 2,8 mil m2 no Ponteio Shopping, em Belo Horizonte.
Antes de entrar em BH, ele foi ocupando espaço nos municípios da Região Metropolitana. Com isso, tornou a marca conhecida dos consumidores, além de aumentar seu conhecimento sobre o varejo. Como concluiu apenas o segundo grau, ele se vale da intuição e do tino comercial herdado do pai, Fernando, um pequeno joalheiro, para tocar o negócio. Seu braço direito nessa empreitada é o irmão caçula Rodrigo Nunes. ?Nunca segui nenhuma regra dos manuais de administração?, diz o dono da Ricardo Eletro que tem como ídolo o veterano Samuel Klein, dono da Casas Bahia. ?Não delego tarefas e se precisar descarrego o caminhão e vou para a loja ajudar a vender,? completa. Mas apesar do sucesso, Ricardo Nunes conserva o jeito mineiro. Um ponto, aliás, elogiado pelo professor Felisoni de Angelo, do Provar-USP. ?O melhor para ele é seguir trabalhando em silêncio?.