Na semana passada, a Embraer anunciou o mais importante vôo rumo à atuação no mercado de aeronaves militares: os planos de construir uma fábrica nos EUA, principal cliente de produtos militares nos dias atuais. No orçamento do governo americano, cerca de US$ 360 bilhões, ou seja US$ 1 bilhão por dia, são reservados para esse item. Para quem não está instalado no país, é quase impossível morder um pedaço dessa fortuna. O governo exige que no mínimo 51% do conteúdo desses produtos seja local. ?É a política industrial dos EUA?, diz Maurício Botelho, presidente da Embraer.

A nova unidade será erguida em Jacksonville, na Flórida, mais precisamente na Cecil Field Naval Air Station, antiga base militar da Marinha fechada em 1999. Investimentos, capacidade, projeto ? nada disso foi divulgado. No campo das certezas, há apenas o apoio dos governos municipal e estadual à iniciativa da Embraer, provavelmente com incentivos fiscais. A fábrica se dedicará a adaptar aviões, como o EM 145, o SuperTucano e o AMX, para missões de patrulhamento, treinamento e inteligência. ?Temos competência na integração de sistemas de defesa nas aeronaves. É o que ofereceremos aos americanos?, diz Botelho. ?Já fizemos isso no Sivam.?

O anúncio da Embraer frisava que a fábrica estava no campo das intenções. Apenas esse sinal, diz Botelho, já é suficiente para a empresa ser vista com outros olhos nas licitações que correm no mercado americano. ?Agora, podemos dizer para eles que estamos prontos para montar nossas aeronaves lá, e assim disputar as encomendas em igualdade de condições com empresas como a Boeing?, diz Botelho. É um vôo contra o tempo. Até 2007, a Embraer pretende se tornar também um jogador de peso no mercado de defesa aérea. Hoje 92% de seu faturamento tem origem na venda de aeronaves civis. O setor vive o pior momento de sua história, o que torna a dependência incômoda para a Embraer. Em quatro anos, as vendas militares representarão 30% de suas receitas.