Nos salões do Hotel Dom Pedro, em Lisboa, o Brasil realizou seu primeiro teste de promoção turística no governo Lula. Ali, estiveram reunidos com investidores portugueses 70 empresários brasileiros, representantes de 14 órgãos estaduais de turismo e o presidente da Embratur, Eduardo Sanovicz, com o objetivo de oferecer novas rotas no Brasil. Os 316 empresários estrangeiros que participaram do encontro gostaram do que viram. A maior operadora de vôos charters da Espanha, a 1840-Abreu, fechou um convênio com o Beach Park, de Fortaleza. A portuguesa TAP comprometeu-se a abrir mais uma linha para o Rio de Janeiro. E uma das maiores empresárias de Portugal, Fernanda Pires da Silva, que dá nome ao autódromo de Estoril, anunciou que criará no Brasil o paraíso do ecoturismo. Será uma cidade, projetada por Oscar Niemayer, com 270 hectares e 10 mil leitos. ?Trabalho nisso 11 horas por dia?, disse ela que, aos 75 anos, controla 17 empresas de construção e lazer e estuda opções no Rio de Janeiro, na Bahia e em Santa Catarina para instalar seu novo empreendimento.

Incursões externas lideradas pela Embratur fazem parte do plano de dobrar em quatro anos o número de turistas estrangeiros no País. ?Queremos atrair 9 milhões de pessoas e gerar US$ 8 bilhões em divisas?, revela o presidente Sanovicz. No ano passado, 3,8 milhões de turistas estrangeiros visitaram o Brasil, deixando US$ 3,1 bilhões. Foi a sétima maior atividade econômica do País, que representou 3% do PIB. Mas ainda é pouco. Na França e Espanha, por exemplo, o turismo representa cerca de 15% do PIB; na Argentina, 10%. Tanto Sanovicz quanto o ministro Walfrido dos Mares Guia estão convencidos de que podem começar a mudar esse jogo. ?O turismo é a bola da vez?, disse Mares Guia. ?Vamos retirar a velha fórmula de mulata, samba e caipinha, colocando no lugar a combinação das belezas naturais com a diversidade cultural?, reforça Sanovicz. No esforço de atrair mais turistas, a Embratur pretende oferecer roteiros de mergulho, caça submarina, gastronomia, arquitetura e história. Outro projeto essencial é atrair para o Brasil feiras e congressos internacionais. Há 9 mil desses eventos por ano e o Brasil atrai em média 50. Este ano, o Brasil já se candidatou a 41 eventos, ganhou 10 e perdeu quatro. Levou para Goiânia o congresso mundial de 2005 dos produtores de algodão, com 2 mil participantes que devem deixar US$ 720 mil na cidade. Para o próximo ano, há 150 candidaturas de eventos sendo engatilhadas. É um começo, num setor em que o Brasil ainda está muito aquém de suas possibilidades.