Uma empresa que tem entre seus ?ativos? ícones da música pop como Mariah Carey, Janet Jackson e Lenny Kravitz, além de jóias raras do quilate dos Beatles e Pink Floyd, tem tudo para abafar as concorrentes e também ganhar muito dinheiro, certo? Nem sempre. Isso ficou claro na última semana, com a divulgação do balanço semestral do grupo EMI. Apesar de contar com um cast de 1.500 artistas, entre os quais os citados acima, a gravadora atravessa um dos piores momentos de sua história. Até 30 de setembro, a companhia registrou prejuízo de US$ 77,6 milhões ante o lucro de US$ 45 milhões apurado em igual período de 2000. A queda é fruto do fraco desempenho do mercado na América Latina (31%), Japão (7,5%) e na Europa (4,7%). A situação é tão crítica que até mesmo pesos pesados, como Mick Jagger, começam a servir de galhofa para a mídia. Na semana passada, o jornal inglês The Sun lançou uma irreverente campanha batizada de ?Ajude a resgatar a lenda?. É que o disco-solo de Jagger ?Goddess in the Doorway? vendeu pouco mais de 2.400 cópias naquele país. Eric Nicoli, presidente da EMI, decidiu, então, fazer drásticas mudanças na companhia. Ele começou pelo topo. Demitiu Ken Berry, o principal executivo da divisão musical do grupo, e contratou o veterano Alain Levy. O item número 1 da agenda do novo presidente é a fusão dos selos EMI e Virgin Records, os mais importantes do grupo. Ao mesmo tempo, ele começou uma delicada negociação com a popstar Mariah Carrey. Em 2000, ela abandonou a Sony com a promessa de receber US$ 100 milhões da EMI. Como apenas uma parte da bolada já foi paga, Levy pretende renegociar o valor na base do ?é pegar ou largar?. O diretor de Marketing da subsidiária brasileira, André Matalon, diz que ainda é cedo para comentar o impacto das mudanças no Brasil.

Levy é visto como um titã nesse segmento. Foi ele quem alçou a PolyGram à condição de gigante do mundo musical. Sua estratégia consistiu na aquisição de selos pequenos, mas com grande potencial. Em pouco tempo, a companhia tornou-se a mais lucrativa do setor e acabou sendo comprada pela Seagram, em 1998. Agora, os tempos são outros. A EMI sobrevive bravamente como a terceira do ranking mundial (com uma fatia de 12,4%), onde quem dá as cartas são os conglomerados de mídia: AOL Time Warner e Vivendi Universal. A tentativa de Nicoli de unir-se a selos maiores fracassou. A opção que restou é a redução de despesas. Já foram demitidos 500 funcionários e a estrutura de custos está sendo revista. A meta é economizar US$ 92 milhões por ano. A EMI também sairá da área industrial, terceirizando a fabricação de cd?s. Tudo isso com o objetivo de evitar que o balanço da companhia continue ?desafinando?.