O crescimento de 4,32% na criação de emprego formal no mês de setembro, em relação a agosto, superou as expectativas no mercado. Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que houve uma geração líquida de 211,1 mil novos postos no mês, ante 150,3 mil, em setembro no ano passado. Com ajuste sazonal, foi o melhor resultado do ano.  O dado, no entanto, não deve se repetir no último trimestre. ?Não teremos resultados tão acima do registrado em setembro?, afirma Fábio Romão, da LCA Consultoria. ?A tendência é de estabilidade.? No acumulado do ano até setembro, houve criação líquida de empregos formais de 1.323.461.

 

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COMÉRCIO: setor criou mais vagas e cresceu mais do que o esperado

 

Para o economista Celso Grisi, da FEA/USP, os bons resultados de setembro não servem de base para fazer projeção. ?O aumento acontecerá pela sazonalidade natural com as festas do final de ano, principalmente para comércio e serviços?, diz. O comércio criou mais vagas e cresceu mais do que se imaginava. Em setembro foram criados 53,8 mil empregos, ante 35,9 mil no mesmo mês de 2012. A explicação, segundo analistas, está na desaceleração da inflação na passagem do primeiro para o segundo semestre e os incentivos do governo como o programa Minha Casa Melhor, que oferece crédito para a compra de móveis e eletrodomésticos.

 

?Esses dois fatores foram fundamentais para a criação de empregos no  período?, diz Grisi. A inflação anual, que chegou a 6,7% no mês de junho, ou seja, acima do teto da meta, caiu para 5,86% anual em setembro, o menor nível no ano. ?Com a queda da inflação, houve uma melhora nos rendimentos e isso ajuda o comércio?, afirma Romão. Já a indústria não apresentou dados positivos: criou 65 mil postos, ante 67,7 mil em setembro de 2012. ?A indústria não dará uma contribuição positiva no terceiro trimestre?. Na avaliação do especialista, o fato de o governo não ter conseguido atrair investimentos do setor privado acabou freando a criação de empregos no setor.  Os empregos industriais de agosto registraram queda de 0,6%, segundo o IBGE.

 

Na construção, a criação de empregos na comparação com setembro de 2012, também veio acima do esperado, com 29,8 mil postos, contra 10,8 mil. Segundo Romão, da LCA, as contratações previstas para julho não aconteceram por conta do volume de chuvas. ?Isso postergou as contratações, que acabaram acontecendo em agosto de setembro?, diz.

 

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