O Brasil abriu 72.960 vagas de empregos formais em maio, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), saldo que veio abaixo do esperado por economistas e foi o mais fraco desde 2020, ano em que a pandemia de Covid-19 afetou fortemente o mercado de trabalho.

O resultado do mês passado, divulgado nesta terça-feira, 29, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, foi fruto de 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos e ficou abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 115.000 vagas.

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Em maio de 2025, foram criados 153.108 postos de trabalho com carteira assinada. No mesmo mês de 2020, houve fechamento de 398.230 vagas. Veja aqui o detalhamento.

Divulgação/MTE

Todos os cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas no mês passado. O setor de serviços, como de costume, liderou a abertura, com 45.655 postos, seguido pelo setor de construção, com 12.096. Em último lugar, depois dos setores agropecuário (+10.205) e industrial (+4.974), respectivamente, ficou o setor de comércio com abertura de 40 vagas.

Saldo no ano também é o mais baixo em 7 anos

No acumulado do ano até maio, o saldo é positivo em 767.326 vagas, também o mais baixo desde 2020, ano em que se inicia a série histórica do Novo Caged, mês que registrou fechamento de 1.345.103 postos de trabalho. No mesmo período no ano passado, o saldo foi positivo em 1.067.108 postos.

No acumulado em 12 meses, o saldo é de 1.132.820 empregos, resultado de 26.800.583 admissões e 25.667.763 desligamentos.

O estoque de empregos com carteira assinada no país, que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos, contabilizou 47.877.989 vínculos em maio, o que representa uma alta de 0,15% em relação ao mês anterior.

O salário médio de admissão em maio foi de R$ 2.384,10, o que representa uma redação de 0,75% ou de R$ 17,97 em relação a abril.

Ministro volta a criticar juros altos

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, voltou a citar a política monetária do Banco Central como um dos fatores que tem provocado a desaceleração do mercado de trabalho, citando também o cenário externo.

“Acho que essa política monetária do jeito que está ela vem gerando um efeito muito negativo no mercado de trabalho, que poderia estar mais positivo ainda. Mas não podemos esquecer do efeito guerra. Acho que tem um efeito grande também das tarifas”, disse na coletiva de imprensa de divulgação dos dados.

Neste mês, o Copom cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto.

Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, a desaceleração da geração de empregos mostra que a resiliência do mercado de trabalho à restrição da política monetária pode estar chegando ao fim. “O resultado foi visto como um bom sinal pelo mercado, com o corte de 25 bps entrando como consenso do mercado. A chance de um corte em agosto é de 70%”, avalia.