07/05/2026 - 13:24
Quase noventa por cento das famílias brasileiras têm dívidas a vencer. O percentual de 80,9% marca, em abril, um novo recorde no nível de endividamento das pessoas, medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira, dia 07 de maio. O dado mostra um avanço em relação ao mês de março, quando estava em 80,4%, e uma alta de 77,6% em relação a abril de 2025.
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Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os indicadores da Peic reafirmam a importância do debate sobre o custo do crédito para os diferentes setores da sociedade.
“É preciso garantir que os mecanismos de renegociação evitem que este endividamento aprofunde ainda mais a crise de liquidez das famílias”, disse em nota de divulgação do levantamento.
O cenário de endividamento elevado das famílias e empresas levou o governo a lançar este mês a segunda versão do programa de renegociação de dívida, o Novo Desenrola Brasil, que oferece descontos de até 90% nas dívidas, uso do saldo do FGTS para quitar as dívidas e renegociação do saldo devedor com juros de até 1,99%.
Contas em atraso
O percentual de famílias com contas em atraso variou para 29,7% em abril, acima do patamar de 29,1% registrado no mesmo período do ano anterior. Já o índice de famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso permaneceu em 12,3% pelo segundo mês consecutivo, após elevação pontual em fevereiro.
Cartão de crédito
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida, exercendo o maior impacto no orçamento, seguido pelos carnês de loja e pelo crédito pessoal. Entre aqueles que possuem contas em atraso, quase metade (49,5%) reportou débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira.
Faixa de renda
As famílias que ganham até três salários mínimos registram o maior nível de endividamento (83,6%) e o maior índice de contas em atraso (38,2%).
No grupo com renda entre três e cinco salários mínimos, o endividamento está em 82,8%, mas houve um alívio na inadimplência, que recuou para 28,0% em abril.
Já entre as famílias com ganhos entre cinco e dez salários mínimos, o endividamento alcança 80,1%, com 22,7% de inadimplência.
O grupo com renda superior a dez salários mínimos apresenta os menores índices, com 70,8% de endividados e apenas 15,0% de inadimplência, mantendo o maior recuo anual nesse indicador.
