Em meio a escalada de riscos para que a Enel deixe a grande São Paulo, a companhia alega que não há qualquer negociação ou discussão em andamento sobre uma eventual troca de controle da distribuidora.

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“A Enel reafirma o interesse na renovação da concessão em São Paulo e nega especulações sobre negociações ou discussão envolvendo a troca de controle da distribuidora. A companhia reforça seu compromisso de longo prazo com o Brasil, País que é e sempre foi estratégico para a Enel, um dos maiores grupos econômicos de energia do mundo”, diz a empresa, em nota.

“A empresa reitera que sempre confiou na atuação isenta e independente do regulador, na segurança jurídica e no histórico de respeito aos contratos no País. O momento pede soluções estruturais para o serviço de distribuição de energia, envolvendo todas as autoridades e a sociedade, para enfrentar o avanço das mudanças climáticas em uma metrópole densamente populosa como São Paulo”, completa.

A manifestação ocorre após declarações recentes de autoridades do setor elétrico que indicaram a possibilidade de uma solução negociada envolvendo mudança de controle como alternativa para o futuro da concessão paulista.

Pressão regulatória e risco de caducidade

De acordo com informações da Reuters, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que uma eventual saída negociada para o caso da Enel São Paulo dificilmente ocorreria sem transferência de controle.

“Não consigo imaginar outro acordo ou tratativa que não seja essa”, disse o executivo, ao comentar a possibilidade levantada pelo Ministério de Minas e Energia de uma ‘saída negociada’ caso seja recomendada a caducidade do contrato.

A Aneel abriu nesta semana um processo administrativo que pode levar à perda da concessão, citando “falhas estruturais” na prestação de serviços, especialmente após eventos climáticos extremos que afetaram o fornecimento de energia na capital paulista.

A Enel terá um prazo de 30 dias para apresentar sua defesa antes de uma decisão do regulador sobre eventual recomendação ao governo federal.

Enel reforça confiança institucional e investimentos

Na contramão das especulações, a Enel destacou na nota que ‘sempre confiou na atuação isenta e independente do regulador’, além de reforçar a segurança jurídica e o histórico de respeito a contratos no Brasil.

Segundo a empresa, foram investidos quase R$ 5 bilhões na área de concessão paulista nos últimos dois anos, além da contratação de 1.600 profissionais para reforçar a operação em campo.

Como resultado, a distribuidora afirma que o tempo médio de atendimento aos clientes caiu cerca de 50% em 2025 na comparação com 2023, enquanto o percentual de interrupções prolongadas recuou 86% no mesmo período.

Renovação de concessões e cenário político

O debate ocorre em meio ao processo de renovação de concessões do setor elétrico. O Ministério de Minas e Energia convocou recentemente 14 distribuidoras para assinar aditivos que estendem os contratos por mais 30 anos – sem incluir, porém, as concessões da Enel.

No caso das operações da empresa no Rio de Janeiro e no Ceará, a Aneel já indicou que não há impedimentos técnicos para a renovação, restando apenas eventuais decisões de natureza política.