Steve Ballmer, da Microsoft, e Carol Bartz, do Yahoo!: Juntas, as empresas vão atingir 30% do mercado de buscas, contra 65% do Google

US$ 200 milhões é quanto o Yahoo! espera economizar ao adotar o Bing, sistema de busca da Microsoft

Na manhã da quartafeira 29, Steve Ballmer, CEO da Microsoft, foi pessoalmente à sede do Yahoo! Nos últimos tempos, esta cena se tornou frequente na rotina do executivo. Desta vez, porém, a visita teve um motivo especial. Ballmer estava sendo aguardado por Carol Bartz, CEO do Yahoo! para anunciar aos analistas que, finalmente, as duas empresas fecharam um acordo para unir seus sistemas de buscas. O negócio não envolve dinheiro nem troca de ações. Tem um caráter apenas operacional.

“Em termos simples, a Microsoft vai agora ser o motor de buscas do Yahoo!, enquanto o Yahoo! se torna a força de vendas exclusiva das duas companhias para publicidade premium”, disse Ballmer, em comunicado. O anúncio encerra uma novela que já dura mais de um ano e quatro meses. A gigante dos computadores conseguiu o que queria, sem desembolsar os US$ 44,7 bilhões que ofereceu no ano passado pela empresa de Jerry Yang. A plataforma do Yahoo! sai de cena e o Bing, da Microsoft, ganha mais musculatura para enfrentar o Google.

A marca Yahoo!, no entanto, será mantida. Juntos, Yahoo! e Microsoft terão 30% do mercado de buscas, contra 65% do Google. A parceria terá duração de dez anos e, segundo as empresas, a integração total dos serviços deve levar até dois anos. Pelo acordo, todos os produtos do Yahoo! vão usar tecnologia de buscas do Bing. “O Yahoo! não tinha outra opção. Uma plataforma mais encorpada é a única forma de se aproximar do Google”, afirma Cid Torquato, especialista em economia digital. Ao abrir mão do sistema de buscas, o Yahoo! espera economizar US$ 200 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento.

Além disso, a companhia aposta num crescimento de US$ 500 milhões em receitas captadas em seus próprios sites e em repasses acordados com a Microsoft. O Yahoo! vai receber parte da receita gerada pelos links patrocinados apenas quando o usuário fizer pesquisas pelo seu próprio site. No Brasil, haverá uma inversão de papéis das duas companhias. A Microsoft Brasil vai iniciar a venda de publicidade em buscas.

Hoje, a companhia usa as soluções do Yahoo! Brasil para isso. “O brasileiro vai sentir um impacto menor desse acordo porque ele já anunciava em uma plataforma única”, acredita Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor-geral do grupo de serviços online e consumo da Microsoft Brasil. No entanto, o executivo diz que o atendimento a clientes premium, como grandes corporações e varejistas, continuará sendo realizado pelo Yahoo!. Nos últimos 16 meses, o Yahoo! sofreu uma forte pressão de seus acionistas, liderados por Carl Icahn, depois de ter recusado a oferta da Microsoft. A empresa também tentou, sem sucesso, parcerias com o Google e a divisão AOL da Time Warner.

A associação com a empresa de Bill Gates, no entanto, não empolgou o mercado de ações que esperava que a Microsoft injetasse dinheiro no Yahoo!. Os papéis da empresa recuaram 7% na Nasdaq e os da Microsoft se valorizaram em 5% no momento de maior euforia. O Yahoo! fechou o segundo trimestre com lucro líquido de US$ 141 milhões, o que representa alta de 8% em relação a igual período do ano passado. A receita, no entanto, recuou 13%, para US$ 1,57 bilhão