Gary Winnick nunca teve pudor em gastar dinheiro. No início dos anos 80 fez seu primeiro milhão na corretora americana Drexel Burnham, comprando e vendendo ações de alto risco. Era um dos garotos mais promissores de Wall Street. Saiu para fundar sua própria empresa de investimentos, a Pacific Capital Group. Mas foi em 1997 que Winnick deu um dos maiores passos no mundo das telecomunicações. Ele criou a Global Crossing. O projeto previa uma rede mundial de fibra óptica, com 100 mil quilômetros de extensão, inclusive no fundo do mar. Em algum momento, as empresas ? principalmente as pontocom ? precisariam ampliar seu tráfego de dados. Winnick foi considerado um gênio das telecomunicações e conseguiu captar US$ 20 bilhões. As ações estrearam a US 9,50 na Nasdaq e e em seis meses chegaram a US$ 64. Winnick conseguiu seu primeiro bilhão de forma meteórica, mais rápido inclusive que Bill Gates. Em 1998, o valor de mercado da Global Crossing superava o da General Motors. Agora, não vale quase nada.

Aposta furada. A história da Global Crossing é mais uma lição para Wall Street, que apostou pesado num projeto arrojado, para não dizer irresponsável. Há duas semanas, a empresa de telecomunicações entrou em concordata, com uma dívida de US$ 12 bilhões. A companhia ainda está sendo acusada por um ex-funcionário de maquiar relatórios financeiros. A Arthur Andersen, que prestava serviços de auditoria para a falida Enron, também tem a Global Crossing como cliente. Se novos investidores não aparecerem, os acionistas correm o sério risco de ver seus papéis virarem pó. Gary Winnick, 54 anos, está livre desse problema. Nos últimos dois anos, o executivo tratou de vender grande parte de suas ações, fazendo uma fortuna extra de US$ 600 milhões. A casa onde mora em Beverly Hills custou US$ 60 milhões. Seu escritório é uma réplica fiel do Salão Oval, o ambiente de trabalho dos presidentes americanos, na Casa Branca. ?O dinheiro não tem a mínima graça se você não pode gastá-lo?, disse ele, certa vez, a uma revista americana. E isso Winnick faz muito bem. Ele é conhecido como um dos maiores filantropos dos EUA. Universidades, entidades do meio ambiente e um centro de memória aos judeus mortos no holocausto estão entre os beneficiados com suas doações milionárias. Mas Winnick sabe ajudar também quem não precisa tanto assim, como senadores e candidatos à Presidência ? incluindo George W.
Bush. Com a Global Crossing em derrocada, agora é a vez de
Winnick pedir ajuda.