Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel à capital do Irã Teerã na madrugada do último sábado, 28, e a morte o líder supremo iraniano Ali Khamenei, ligaram o alerta para o que pode ser uma escalada no preço do petróleo no mercado global com o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz.  

Antes mesmo dos ataques, o petróleo já vivia uma escalada em seus preços, por conta da dificuldade na negociação entre os dois países sobre o acordo nuclear iraniano. Na sexta-feira o preço do óleo havia subido mais de 2%. 

+Irã, EUA e Israel ampliam ataques em 2º dia de conflito

Ainda no domingo, 1º, o petróleo Brent subiu 10%, para cerca de US$ 80 o barril no mercado de balcão. Analistas preveem que os preços podem passar dos US$ 100 nos próximos dias. 

Nas primeiras operações nos mercados asiáticos, na manhã da segunda-feira, 2, o barril de tipo Brent era negociado a US$ 80,20, um aumento de 13% em relação à cotação de fechamento da sexta-feira, de US$ 72,87. Já o barril de tipo West Texas Intermediate (WTI) disparou 8,25%, até alcançar US$ 72,55.

Fechamento do Estreito de Ormuz

O principal acontecimento que pode encarecer os preços do petróleo foi o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei, no sábado. 

O especialista de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, explicou que o canal é uma importante saída do petróleo na região. 

“O que mais afeta o mercado de petróleo é o anúncio sobre o banimento da passagem de navios pelo estreito de Ormuz. Isso acabou resultando em um crescimento exponencial dos fretes marítimos e uma redução significativa do número de embarcações que vêm utilizando essa via. A grande maioria da infraestrutura logística de escoamento de petróleo do Golfo Pérsico está no estreito de Ormuz e esse cenário significa uma redução dos fluxos”, apontou. Ainda há dúvidas sobre a capacidade do Irã de interromper totalmente o fluxo no canal.  

 

As saídas à partir de agora devem acontecer via Mar Vermelho e Mar Mediterrâneo, mas essa a transição não é simples, já que mais de 20% do petróleo global é transportado através do estreito.

A companhia de navegação dinamarquesa Maersk, uma das maiores do mundo, anunciou que suspenderá o trânsito de seus navios pelo estreito de Ormuz “até novo aviso”.

Opep+ anunciou aumento de produção 

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciou neste domingo um aumento na produção diária de petróleo, de cerca de 140 mil barris por dia para 206 mil. O aumento é considerado tímido e especialistas no mercado apontam que somente Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos têm capacidade de aumentar ainda mais a sua produção. 

Diante desse cenário, esse aumento não deverá ser o suficiente para evitar um aumento de preços. 

“Essa decisão vem como uma forma de reduzir os impactos causados pela redução de fluxo pelo estreito de Ormuz”, apontou Cordeiro.  

Escoamento pela Rússia

Cordeiro explica que uma das saídas para o aumento de escoamento pela Rússia, em um cenário em que o país sofre com sanções devido à guerra da Ucrânia. 

“Pode acontecer um aumento de escoamento de petróleo pela Rússia, que vem mostrando uma dificuldade maior de escoar commodities para outras regiões em meio a aplicação de mais sanções dos EUA e da UE contra o produto russo”, afirmou. 

Real pode se valorizar 

O economista André Perfeito, da Garantia Capital, afirma que o Brasil pode se beneficiar do cenário, já que é superavitário na balança de Petróleo e Derivados.

“Provavelmente o Brasil vai ganhar por WO, depois de décadas de esforço do próprio Brasil. Não me surpreenderia se o Real se apreciar mais ainda nos próximos dias”, concluiu.