22/04/2026 - 10:20
Autoridades sanitárias da Europa descobriram veneno de rato em potes de papinhas de bebê da marca alemã Hipp. O caso foi revelado no último fim de semana, após a agência austríaca de segurança alimentar, Ages, emitir um alerta. As redes de supermercado foram avisadas para realizar um grande recall. Os potes adulterados foram encontrados na Áustria, República Tcheca e Eslováquia.
O comunicado da agência sanitária Ages diz que o pote de comida para bebês adulterado, rotulado como “Cenoura e Batata 190 g”, foi encontrado com um adesivo branco com um círculo vermelho, no distrito austríaco Eisenstadt-Umgebung.
As investigações preliminares apontam para caso de extorsão empresarial.
A polícia de Ingolstadt, cidade que fica ao sul da Alemanha, região próxima à fábrica da Hipp, diz que o autor ainda não foi encontrado. A empresa Hipp emitiu um comunicado dizendo que a empresa está sendo vítima de chantagem.
O primeiro frasco foi descoberto perto de Eisenstadt, em Burgenland, a província mais oriental da Áustria. Os testes iniciais mostraram que o frasco de 190 gramas contendo papinha de cenoura com batata estava contaminado com veneno para ratos. A polícia ainda procura um segundo frasco contaminado, que suspeitam estar na mesma região.
Mais dois frascos envenenados foram encontrados em uma loja em Brno, na República Tcheca. A imprensa local informou que, segundo a promotoria, ambos os frascos estavam marcados com um adesivo branco e um círculo vermelho, conforme descrito pelo suspeito de extorsão em um e-mail.
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O alerta da Ages também mencionava essa marcação. Frascos contaminados também foram encontrados na cidade de Dunajska Streda, no sul da Eslováquia.
Tampas danificadas
Todos os frascos afetados tinham tampas danificadas e não faziam o estalo característico ao serem abertos. Como muitos alimentos, a papinha para bebês é envasada quente em frascos e selada com uma tampa de rosca; à medida que esfria, forma-se um vácuo. O estalo ao abrir confirma que o frasco não foi aberto desde o envase. De acordo com a Hipp, as contaminações foram resultado de manipulações “criminosas externas” que devem ter ocorrido fora das instalações da fábrica.
A polícia de Ingolstadt aconselhou os consumidores a prestarem muita atenção ao som característico de estalo, a cheirarem o conteúdo e, caso algo pareça estranho, a não darem o alimento aos seus filhos e a contactarem imediatamente a polícia local. O fabricante emitiu um aviso semelhante.
Casos semelhantes
Essa não é a primeira vez que papinhas para bebês são adulteradas na Europa. Num caso notório anterior, o chantagista era, na verdade, um policial da Scotland Yard, no Reino Unido. Entre 1988 e 1989, Rodney Whitchelo adulterou papinhas de bebê usando produtos químicos e lâminas de barbear e, em seguida, recolocou os potes nas prateleiras dos supermercados. Ele exigiu 4 milhões de libras (7 milhões de dólares na época) como resgate, mas foi preso e condenado a 17 anos de prisão.
Este e outros casos na década de 1980 levaram à introdução de tampas com lacre de segurança, que permitem aos consumidores verificar se o conteúdo do pote foi adulterado.
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Em 2017, vários potes de papinhas para bebês contaminados com anticongelante – cada um com uma dose potencialmente letal – foram descobertos em Friedrichshafen, no sudoeste da Alemanha. O autor do crime tentou extorquir cerca de 12 milhões de euros (R$ 70 milhões atualmente) de uma rede de supermercados. Ele está cumprindo uma pena de 10 anos de prisão.
Novamente no Reino Unido, em 2018, um chantagista tentou extorquir 1,4 milhão de libras em Bitcoin. Ele havia colocado pedaços de metal em vários potes e ameaçado contaminar outros, inclusive com salmonela. Imagens de câmeras de segurança de um supermercado levaram à sua prisão, e ele foi condenado a 14 anos de prisão.
Em 2025, a polícia polonesa prendeu um homem sob a acusação de tentar extorquir dinheiro ameaçando envenenar comida para bebês. No entanto, ainda não há veredicto e nenhum produto contaminado foi encontrado.

Por que os alimentos para bebês são alvo?
Colocar bebês indefesos em perigo para obter resgate provavelmente soa algo particularmente cruel para muitos, o que garante máxima atenção ao criminoso e pressão sobre as empresas para que paguem os valores exigidos. Além disso, alimentos infantis estão disponíveis em inúmeras lojas, oferecendo aos criminosos diversos potenciais pontos de acesso.
No entanto, de modo geral, os alimentos infantis estão sujeitos a um monitoramento relativamente rigoroso, decorrente de regulamentações já bastante estritas, a fim de minimizar os riscos. Os fabricantes restringem o acesso às suas fábricas e, além das embalagens invioláveis já, utilizam números de lote para facilitar o recolhimento de produtos específicos.
Varejistas também reforçam a segurança instalando câmeras – impedindo, assim, que criminosos como os que atuaram no Reino Unido em 2018 coloquem potes contaminados nas prateleiras sem serem detectados.
*Com reportagem de Deutsch Welle
