As últimas 24 horas mexeram com ânimos do País pela divulgação do teor da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), publicadas com exclusividade pela revista ISTOÉ, e pelo depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entenda a cronologia dos fatos:

– A revista ISTOÉ publica com exclusividade o teor da delação premiada que o senador petista Delcídio do Amaral negocia acordo com a força-tarefa da Lava Jato. O documento de 400 páginas deve ser homologado nos próximos dias pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki.

– Na sexta-feira, 4, o ex-presidente Lula é preso às 6 horas em sua casa em São Bernardo do Campo, na 24ª fase da operação Lava Jato. Lula cumpriu mandado de condução coercitiva (quando o investigado é levado a depor e depois liberado) e depôs durante mais de três horas em Congonhas, São Paulo. O conteúdo do depoimento não foi divulgado.

–  A nova etapa da Lava Jato, batizada de Aletheia, uma referência à expressão grega que significa “busca da verdade”, determinou a expedição de 33 mandatos de busca e apreensão em locais diversos. Um deles foi o tríplex no Guarujá, na praia de Astúrias, que o ex-presidente Lula nega ser seu, cuja obra de reforma e compra de mobiliário teria sido paga por empreiteiras envolvidas em suposto desvio de dinheiro da Petrobras.

– O alvo da investigação, que foi sancionada pelo juiz Sérgio Moro, apura se há ilegalidades nas doações do Instituto Lula e nos valores pagos a LILS Palestras, Eventos e Publicações (empresa que tem o ex-presidente como sócio). Segundo o procurador da República Carlos Fernando Lima, 60% (R$ 20 milhões) das doações ao Instituto Lula e 47% (R$ 10 milhões) dos valores pagos a LILS vieram das maiores empreiteiras envolvidas na Lava Jato (Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e UTC).

– Ainda segundo o procurador, há clareza de que “houve pagamentos de benfeitorias (pagos pela OAS e Odebrecht) no triplex do Guarujá e em um sítio em Atibaia, que estamos investigando a propriedade, mas acreditamos, até o momento, que seja de Luiz Inácio”.  O Instituto Lula e advogados do ex-presidente alegam que o sítio não é de Lula, mas sim do publicitário Fernando Bittar, filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar.

– Os procuradores da Lava Jato, em entrevista à imprensa na sexta-feira pela manhã, informaram que outro “favor” concedido ao ex-presidente Lula foi o pagamento pela OAS de sua mudança quando deixou Brasília. Parte da carga, que ocupou oito contêineres, foi levada para o sítio em Atibaia e o resto para o tríplex no Guarujá. O custo total da mudança teria sido de R$ 1,3 milhão, de acordo com informações dos procuradores.

– O ex-presidente Lula concedeu, na sexta-feira à tarde, uma entrevista no qual, com veemência, classifica de abusiva a ação da Polícia Federal. “Eu poderia perfeitamente ter sido convidado a depor em Curitiba, a minha família não precisa passar pelo constrangimento que passou”, afirmou. O ex-presidente disse ainda que há enorme preconceito da elite brasileira e da mídia com o PT e o governo da presidente Dilma Rousseff.