24/08/2015 - 12:35
Nesta segunda-feira os mercados globais operam com forte queda por causa da China. O Ibovespa, principal índice da bolsa de São Paulo, chegou a cair mais de 6,5% pela manhã com baixo volume e sustentava na casa dos 44 mil pontos, enquanto o dólar rompia a casa dos R$ 3,55.
A Bolsa de Xangai, a principal do país, caiu 8,5%, em meio à frustração de investidores que esperavam que o Banco Central chinês (PBoC) adotasse novas medidas para apoiar o sistema financeiro durante o fim de semana. Este vácuo de notícias do PBoC foi considerado um dos principais motivos por trás da forte liquidação vista hoje nas bolsas de todo o mundo.
Uma análise recorrente é de que um uma economia chinesa em desaceleração poderia levar a uma queda global no preços da commodities, como metais básicos. Se isto de fato ocorrer, afetaria dieretamente o Brasil que é grande exportador de minério de ferro à China.
Há pouco mais de uma semana a autoridade monetária chinesa desvalorizou a moeda local, o yuan, como estratégia para ganhar competitividade em suas exportações. O temor dos analistas é de que a China esteja passando por uma desaceleração estrutural de longo prazo em vez de uma retração mais dura na economia no curto prazo
“Há um número cabalístico de que China deve crescer no mínimo 7% ao ano para manter economia ativa e dar conta crescimento populacional”, avalia Gilberto Braga, professor de economia do IBMEC
Cenário distinto de 1997
Para os economistas do Bank of America Merrill Lynch, a desvalorização do yuan e o recente cenário de queda nos mercados de câmbio e de ações da Ásia não devem levar a outra crise financeira asiática, como acreditam alguns, afirmam analistas do Bank of America Merrill Lynch. O analista Josh Klaczek, do J.P. Morgan, também argumenta que o cenário é diferente.
“Acreditamos que a apreensão do mercado é exagerada, já que o câmbio na Ásia está subvalorizado e as opções de política são amplas”, afirma o Bank of America Merrill Lynch. Diferentemente de 1997, a maioria dos países asiáticos tem déficit em conta corrente, mas balanços fortes, dependendo menos de empréstimos de moedas estrangeiras, segundo o banco. Mais importante ainda, os países asiáticos também têm mais espaço político para combater uma crise. Muitos países, como China, Coreia do Sul e Índia, podem cortar mais os juros neste ano, enquanto durante a crise de 1997 muitas nações asiáticas tiveram de elevar os juros, para defender suas moedas.
Cenário Político interno
Soma-se ao cenário externo um panorama adverso também aqui no Brasil com a crise política, na avaliação de economistas e analistas do mercado de capitais. Um foco sempre crescente de preocupação é o do apoio do PMDB à base de sustentação do Governo no Congresso.
As principais revistas semanais trazem nesta semana a insatisfação dos brasileiros com o cenário político-econômico. A Istoé, por exemplo, mostra o início de um êxodo de brasileiros que estão trocando o Brasil por outros países em busca de um melhor futuro.
Como a agenda econômica no Congresso ainda é uma incógnita, principalmente a de reformas estruturais como a tributária e de novos incentivos ao crescimento econômico, o cenário apontado por empresários ainda é o que os economistas chamam de “estagflação”, que representa pouco ou nenhum crescimento com inflação alta.