05/02/2011 - 9:25
O novo tratado russo-americano de desarmamento nuclear START entrou em vigor neste sábado, após a ratificação efetuada pelos chefes da diplomacia dos Estados Unidos e da Rússia, em Munique (Alemanha).
“Hoje, ratificamos um tratado que reduz os perigos nucleares sobre os povos russo e americano e o mundo”, declarou a secretária de Estado americana Hillary Clinton, durante cerimônia ao lado do ministro russo Sergueï Lavrov.
Segundo o tratado assinado em abril de 2010 pelos presidentes Barack Obama e Dimitri Medvedev, em Praga, Moscou e Washington têm sete anos para reduzir em 30% seus respectivos arsenais. O acordo, válido por dez anos, prevê um máximo de 1.550 ogivas nucleares para cada lado, contra as 2.200 atualmente.
O START também prevê a retomada das verificações mútuas dos arsenais nucleares, interrompidas no fim de 2009.
A solenidade para marcar a entrada em vigor do acordo ocorreu neste sábado durante a Conferência de Segurança de Munique, onde estão presentes os principais funcionários e especialistas de Defesa do mundo.
A ratificação do START por ambos os países é mostra da retomada das relações entre EUA e Rússia após as tensões que dominaram o planeta, durante o governo do antecessor de Obama, George W. Bush.
O tratado vem sendo criticado, no entanto, por sua falta de ambição, uma vez que não leva em conta milhares de ogivas nucleares estocadas pela Rússia e os Estados Unidos.
Embora seis outros países (sem contar a Coreia do Norte, com capacidade ainda embrionária) dispõem da arma atômica, Washington e Moscou detêm mais de 90% dos arsenais nucleares do planeta.
O teto fixado pelo tratado para os vetores (mísseis e bombardeiros de longo radio de ação) efetivamente mobilizados – 700 por país mais 100 em reserva – correspondem pouco ou muito à realidade já no terreno. Os russos já chegaram a este número e os americanos estão um pouco acima.
O ponto de desacordo fundamental entre os dois países diz respeito à decisão do governo Obama de dar prosseguimento, na Europa, à construção de um escudo antimíssil. A Rússia já anunciou que não aceitará o projeto, a menos que possa participar dele integralmente.
pm/dch/sd