DINHEIRO ? O sr. acredita que o livro ?Grau 26? teria vendido mais se o iPad já existisse?
ZUIKER – O livro vendeu quase 200 mil no mundo. Esse é o primeiro capítulo de uma coisa nova que as pessoas ainda estão conhecendo e descobrindo. A editora já recuperou seu investimento. Todo projeto pioneiro tem seus contratempos, mas estou certo que o ?livro digital? (uma mistura de literatura, vídeos e rede social criada por Zuiker) está encontrando o seu público e vai crescer em importância nos próximos anos. A expectativa é que com o lançamento de aparelhos como o iPad e com a segunda e a terceira parte da trilogia a caminho acabem aquecendo a procura pelo título.

DINHEIRO – E, na sua opinião, como será o livro no futuro?
ZUIKER – Já passamos dos cinco mil downloads com o aplicativo para iPhone e iPod touch. O melhor é que você não precisa largar o livro e entrar na internet para ver os vídeos ou interagir na rede social. Basta um clique. Está tudo integrado e é assim que imagino que deva ser um livro no futuro. Vamos observar o sucesso do iPad para verificar a adesão das pessoas, mas é sem duvida uma plataforma sedutora para o que estamos propondo.

DINHEIRO – Qual opinião do sr. sobre as pessoas ao redor do mundo que assistem CSI de graça na internet?
ZUIKER – É extremamente complicada. A maior parte da receita ainda vem das velhas mídias, como a televisão. Mas a audiência e o interesse do público por essas mídias vêm caindo e se deslocando para a internet. O problema é que o dinheiro ainda não seguiu esse caminho. Quanto à pirataria, ela é uma questão de negócios. As pessoas que assistem CSI na internet, seja no Brasil ou em qualquer outro país, demonstram que as coisas mudaram e cabe a nós encontrar um modelo que sustente esse negócio nos próximos anos.

DINHEIRO – As editoras de livros ainda não foram impactas pela revolução digital ao contrário das gravadoras. Isso ainda vai acontecer?
ZUIKER – Sem dúvida. Tudo está se tornando digital e isso também vai chegar aos livros. Muitas livrarias serão fechadas nos próximos anos também. Grau 26 não é apenas um livro é uma experiência com diferentes possibilidades de engajamento. Entendo que as editoras precisam pensar em soluções para o problema que se avizinha e algumas até já estão.