O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou neste sábado (23) que os embaixadores de 10 países, incluindo os dos Estados Unidos, Alemanha e França, que pediram a libertação do opositor Osman Kavala, serão declarados “persona non grata o mais rápido possível”.

“Ordenei ao nosso ministro das Relações Exteriores que prepare o mais rápido possível a declaração desses dez embaixadores como persona non grata”, disse o chefe de Estado turco durante uma viagem ao centro da Turquia, embora não tenha especificado nenhuma data.

“Deveriam conhecer e compreender a Turquia”, acrescentou Erdogan sobre os embaixadores, que acusou de “indecência”.

“Eles têm que sair daqui desde o dia em que pararam de ver a Turquia”, acrescentou.

Em um comunicado divulgado na noite de segunda-feira, Canadá, França, Finlândia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Suécia e os Estados Unidos pediram “um acordo justo e rápido para o caso” de Osman Kavala, empresário e patrono turco que se transformou em um inimigo do regime, preso há quatro anos sem julgamento.

O chefe de Estado turco ameaçou na quinta-feira expulsar os embaixadores, mas sem tomar medidas concretas.

O governo convocou os embaixadores destes dez países na terça-feira passada, considerando “inaceitável” o apelo à libertação do opositor Osman Kavala.

Kavala, de 64 anos, é acusado desde 2013 pelo regime de Erdogan de tentar desestabilizar o país. Mais tarde, foi acusado de tentar “derrubar o governo” na tentativa fracassada de golpe de 2016.

Em dezembro de 2019, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH) ordenou a sua “libertação imediata”, mas foi uma sentença em vão.

Um tribunal de Istambul decidiu no início de outubro que Kavala permanecerá na prisão pelo menos até 26 de novembro, apesar das ameaças europeias de sanções contra Ancara.

O Conselho da Europa ameaçou adotar sanções contra o governo turco, que poderiam ser aprovadas em sua próxima sessão – de 30 de novembro a 2 de dezembro – se o opositor não for libertado antes.