15/05/2002 - 7:00
Imagem não é tudo. E Sir Richard Branson, o rei do marketing, descobriu isso nos últimos meses, quando o mercado lhe bateu à porta cobrando a conta de seu estilo nada ortodoxo de administrar o Virgin Group. A luz vermelha acendeu nas finanças do império que reúne 270 empresas e fatura US$ 4 bilhões ao ano. Analistas ingleses foram categóricos: se Branson continuar expandindo sua companhia do mesmo modo que vem fazendo nos últimos anos ? com muito marketing e pouco planejamento ? enfrentará turbulências em curto prazo. Diante da perspectiva, o inglês de 49 anos tomou duas decisões: anunciou sua gradual retirada do dia-a-dia das operações e vai abrir o capital de oito companhias, num processo que deve durar oito anos. A idéia é fazer caixa, trazendo novos investidores da City londrina. O empresário espera conseguir algo como US$ 3 bilhões no período. Entram no pacote a Virgin Mobile (celulares), Virgin Entertainment, Virgin Atlantic (aviação), Virgin Active (academias) e Virgin Money (financeira). ?Estou mais maduro e o grupo também?, disse em recente entrevista o bilionário britânico, dono de uma fortuna pessoal estimada em US$ 1,6 bilhão.
Sob suas asas estão negócios tão distintos quanto companhias aéreas, fábrica de refrigerantes, ferrovias, lojas de cosméticos e financeiras. O homem capaz de se vestir de noiva, posar nu, escalar prédios e subir em balões para lançar um produto, agora terá de deixar um pouco de lado a pirotecnia e se preocupar com a arrumação da ?casa?. Dois de seus principais negócios, Virgin Atlantic e Virgin Rail, registraram perdas no ano passado e, segundo especialistas, dificilmente voltarão a gerar lucros em curto prazo (porta-vozes da Virgin não revelam cifras, mas confirmam os números negativos destas duas empresas). No caso da companhia aérea, que faz a rota Londres?Nova York, contribuíram para o mau resultado os ataques de 11 de setembro. Talvez por isso, Branson esteja tentando de todas as formas incrementar sua recém-criada empresa aérea de baixo custo, a Virgin Express. Para evitar a turbulência, ele costura um acordo com a Easy-Jet, que negocia a aquisição da rival GO. Se a compra for efetivada, nascerá a maior empresa do setor na Europa.
Associações. Além da atração de investidores no mercado acionário, Branson continua com sua estratégia de parceria. Nos últimos meses, sem o mesmo fôlego financeiro de outros períodos, ele abriu as portas para associações com grupos privados. A Virgin Atlantic vendeu 49% das ações para a Singapore Airlines. A Stagecoach, companhia inglesa de transportes, adquiriu igual porcentual da Virgin Rail. A T-Mobile ficou com 50% da Virgin Mobile e a AMP abocanhou metade da financeira Virgin Money. ?Minhas habilidades são de criar e construir novas companhias, não de geri-las?, admitiu Branson em entrevista ao Financial Times.
O homem, ao que parece, está mesmo mais maduro. Ou será que esta é outra jogada de marketing? Um dia após anunciar todo esse processo de reestruturação do grupo, Branson declarou sua vontade de lançar uma companhia aérea de baixo custo nos Estados Unidos. E disse que pretendia, em conjunto com a americana Sprint, investir US$ 1 bilhão em telefonia na terra de Bush. Lá vai ele de novo!