18/05/2011 - 6:00
Não importa quantos foram pegos, algumas figuras públicas continuam a protagonizar tumultuados escândalos sexuais. O último foi o do diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, que foi preso na última semana depois de ser acusado de tentativa de estupro por uma camareira no quarto de um luxuoso hotel de Manhattan.
A defesa ofereceu o pagamento de um milhão de dólares em dinheiro vivo para que Strauss-Kahn recebesse a condicional, mas a proposta foi rejeitada. Resultado: as principais bolsas do mundo, incluindo a Bovespa, encerraram a sessão desta segunda (16) e terça-feira (17) em baixa, em meio à crise provocada pela prisão do diretor.
Strauss-Khan não é principiante em acusações de teor sexual. Em 2008, o The Wall Street Journal revelou que o diretor do FMI teria tido um caso extraconjugal com uma funcionária do fundo. Ele é chamado pela imprensa francesa de chaud lapin, algo como um coelho com libido à flor da pele.

Strauss-Khan é levado pelos oficiais
?Muitas pessoas não conseguem discernir onde acaba a vida pessoal e começa a profissional?, opina Adriana Gomes, mestre em psicologia e coordenadora da área de pessoas do curso de pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM-SP).
Ninguém sabe qual o futuro de Strauss-Khan nem se as acusações são verdadeiras, mas esse não é a primeira vez que o mundo vê um escândalo com alguma figura pública derrubar bolsas no mundo inteiro. Confira:
Clinton
Não tem jeito, em listas de escândalos sexuais ele sempre aparece. Em janeiro de 1998, o procurador independente Kenneth Starr começou a investigar a ligação do presidente Bill Clinton com uma jovem mulher, Paula Jones. Mas o caso centra-se numa outra ligação, que o presidente Clinton teria tido, quando era presidente, com a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky.
Em agosto do mesmo ano, Clinton reconhece ter tido uma “relação” com Lewinski. Pouco tempo depois, um relatório da Comissão aponta que Clinton mentiu no caso Paula Jones e criou obstáculos à justiça no caso Lewinksy. Os EUA passaram então a discutir a vida pessoal do seu presidente, mas o processo de impeachment contra Clinton foi rejeitado pelos senadores em fevereiro do ano seguinte.

Bill Clinton e Monica Lewinsky
Berlusconi
Entre os casos mais recentes, o do chefe de governo italiano, Sílvio Berlusconi, é um dos mais emblemáticos. A acusação de prostituição de menores e abuso de poder no processo Rubygate desestabilizou a Itália, política e economicamente.

Berlusconi protagonizou uma série de escandâlos nos últimos meses
O julgamento de premiê começou no dia 6 de abril e deverá ser retomado dia 31 de maio. Berlusconi, de 74 anos, é acusado de ter pagado a uma menor por serviços sexuais, a marroquina Karima el Mahroug, conhecida como Ruby, entre fevereiro e maio de 2010 e ainda de ter pressionado a polícia para libertá-la depois da jovem ter sido presa por roubo.
Eliot Spitzer
O governador de Nova York Eliot Spitzer renunciou em 2008, depois que foi divulgado que ele estava na lista de clientes de uma rede de prostituição de luxo. Spitzer era chamado de cliente número 9 e segundo os investigadores do caso, gastou cerca de US$ 80 mil com prostitutas de luxo do Emperors Club.
Uma brasileira, a cafetina e prostituta Andréia Schwartz, teria servido como informante na investigação federal que descobriu a ligação de Spitzer com a rede de prostituição. Ela ameaçou ainda entregar uma lista de clientes, que incluiu um número de outros políticos e jogadores de Wall Street.

Eliot Spitzer ao lado da esposa durante declaração oficial
James McDermott
O executivo da Buryette Keefe & Woods não pagou Kathryn Gannon (cujo nome artístico é Marilyn Starr) pelos os serviços prestados, mas ofereceu a estrela de filmes adultos e dançarina informação privilegiada sobre o mercado. Gannon conseguiu arrecadar dezenas de milhares de dólares em lucros antes da coisa toda ser revelada.
Ela foi condenada a três meses de prisão por conspiração e uso de informação privilegiada. McDermott foi condenado por insider trading, teve que pagar uma multa milionária e nunca mais pode pisar em uma gestora de investimentos.
Robert Moffat
O antigo executivo da IBM, foi condenado hoje a seis meses de prisão por passar informação privilegiada a uma operadora com quem tinha um caso. Moffat alimentou com informações privilegiadas da IBM a analista de mercado Danielle Chiesi, que trabalhava no hedge fund Galleon e vazava as dicas para seu namorado, o financista Mark Kurkuland, que por sua vez favorecia grupos de investidores.
O episódio envolve 21 pessoas.? Algumas assumiram a culpa, entre elas Moffat. Este é considerado o maior processo de caso de uso de informação privilegiada em hedge funds da história. “Cometi erros terríveis que vão me perseguir pelo resto da minha vida”, declarou Moffat.

Dormindo com o inimigo: Chiesi passava informações que conseguia com Moffatt, para o financista Mark Kurland
Mark Hurd
Hurd era o queridinho do mundo corporativo, quando pediu demissão como presidente-executivo da maior fabricante de PCs do planeta, a HP, em razão do desgaste causado pelo escândalo sexual envolvendo uma funcionária terceirizada, a atriz Jodie Fisher, 50 anos, que estrelou filmes eróticos na década de 1990.
Jodie, que trabalhou na companhia entre 2007 e 2009, sempre acompanhava os dirigentes da HP em viagens pelo país. Em inúmeras ocasiões ela dividiu a mesa de sofisticados restaurantes com Hurd. A posição de Hurd ficou insustentável após a descoberta de que o executivo falsificou informações de gastos pessoais no valor de US$ 20 mil. O montante teria sido gasto com a amante. O desfecho do caso caiu como uma bomba sobre Wall Street. As ações da HP caíram 10% no dia do anúncio da saída do dirigente.
O irônico é que Mark Hurd saiu pela porta dos fundos da HP e foi direto para vai para o lugar de Charles Philips, que renunciou ao cargo de presidente da Oracle depois que esteve envolvido em um escândalo. Sua ex-amante, a jornalista YaVaughnie Wilkins, tornou público o affair entre os dois com um gigantesco cartaz na Broadway, em Nova Iorque.

Mark Hurd, protagonista de um escândalo na HP, substituiu Philips na Oracle, de onde o executivo saiu também por conta de outro escândalo