Com o toque do dedo indicador, o estudante de Administração Fábio Costa, 20 anos, assina a lista de chamadas. O desenho das digitais é escaneado e sua presença reconhecida automaticamente pelo sistema. Em vez do caderno, Fábio puxa da bolsa o notebook e o conecta à rede de fibra óptica que interliga os computadores. A aula é filmada e transmitida pela Internet. Isso tudo parece um pouco ficção científica, mas está acontecendo agora mesmo, aqui mesmo no Brasil. Na Faculdade Sumaré, em São Paulo, cada uma das 24 salas informatizadas custou cerca de US$ 40 mil, totalizando um investimento de quase US$ 1 milhão. Materiais como giz e quadro-negro foram substituídos por canetas sensoriais e lousas eletrônicas. À medida em que o professor escreve, o conteúdo pode ser visualizado na tela do aluno e salvo na rede, para ser consultada mesmo de casa, pela Internet. O aluno que não puder ir à faculdade pode assistir à aula de casa, pela Internet. Tudo é filmado e transmitido em alta velocidade.

Em todas as faculdades que vêm investindo na modernização das salas, o objetivo é o mesmo: criar um ambiente empresarial. As escolas apostam nesse tipo de aula para economizar tempo durante as aulas, já que os professores podem baixar o conteúdo pronto, sem ter que escrever na lousa. Os alunos, por sua vez, não precisam anotar nada: até mesmo os rabiscos do professor são salvos na rede. Nesse tipo de operação, os notebooks tornaram-se tão necessários que a Faculdade Trevisan só permite a entrada de alunos que já tenham o aparelho. ?Não temos problema quanto a isso. Nosso público é classe A?, diz o diretor da Trevisan, Marcus Daniel Machado. Na Sumaré, a saída foi criar uma parceria com o Banco Real, que financia a compra do computador portátil.

O Instituto de Pós-Graduação em Administração (Coppead), da UFRJ, também tirou o papel da mão dos alunos. Cerca de 50 mestrandos receberam e-books, que comportam 50 livros cada um. O aluno não paga pelo aparelho, que deve ser devolvido à Universidade ao término do curso, que dura um ano. A UFRJ investiu US$ 1 milhão na implantação do sistema, que deverá ser estendido aos demais 500 alunos de mestrado e doutorado da Coppead a partir de janeiro do próximo ano. Além do material didático, o aluno pode ainda acessar a biblioteca virtual da intranet da Coppead, onde estão catalogados 3 mil artigos. Os livros digitais já estão na pauta de negociações das escolas. Se tudo correr como planejado, os alunos não precisarão mais ir à biblioteca. ?A questão é o direito autoral, mas já estamos conversando com as editoras?, diz João Fiorini, diretor da Faculdade Sumaré, que se compromete a arcar com os custos de reprodução. Espera-se que, com os recursos virtuais, os alunos se interessem mais pelo principal: o conteúdo.