31/05/2015 - 16:40
O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, provocou uma polêmica interna no governo socialista de esquerda radical este domingo, após nomear uma controversa ex-deputada socialista como representante da Grécia no FMI.
A economista Elena Panariti participou da equipe do antecessor governo de coalizão direita-socialista nas negociações com os credores, a UE e o FMI, sobre a aplicação do primeiro plano de ajuda ao país, marcada por uma rigorosa política de austeridade.
Sua indicação provocou a ira dos 43 deputados (de um total de 149) do partido de esquerda radical Syriza, no poder, assim como a reação de vários quadros do governo de Alexis Tsipras, primeiro-ministro e presidente do partido.
“Uma personalidade que representa a política do Memorandum (n.d.r: de austeridade) não pode representar o governo atual, cujos princípios e valores são totalmente diferentes (…)”, declararam os deputados em uma carta aberta, publicada este domingo pela agência de notícias grega Ana (semi-oficial).
“Trata-se de um assunto político (…), é uma decisão equivocada e pedimos sua anulação”, escreveram os deputados.
Está previsto um encontro para a noite deste domingo entre o premiê, Alexis Tsipras, e Yanis Varoufakis sobre o tema, acrescentou a Ana.
Estrela do governo de esquerda grego, o ministro Yanis Varoufakis, que também é deputado do Syriza, mas não membro do partido, já tinha causado polêmica dentro do governo no fim de abril. Na época, ele foi acusado de ter criado um clima negativo durante as negociações entre Atenas e os representantes dos credores, UE e FMI, a respeito do acordo que deve ser concluído sobre o futuro financeiro do país.
Para apaziguar os ânimos na época, Alexis Tsipras precisou reorganizar a equipe grega encarregada das negociações com os credores.
“Houve um mal-entendido” com as equipes da UE e do FMI e, inclusive, “um clima negativo” contra o senhor Varoufakis, explicou o premiê em entrevista à emissora de televisão grega Star no começo de maio.