05/06/2002 - 7:00
Segunda-feira 27, 10h30: a cotação da ação da Embratel estava em R$ 4,60. Uma hora depois, o preço disparou para R$ 4,67. Às 16h30, encerrou o pregão em R$ 4,50. Definitivamente, não é qualquer um que embarca nessa montanha-russa diária em que se transformou o pregão da Bovespa nos últimos tempos. Mas sempre há aqueles em busca de fortes emoções. Para essa turma, a operação chamada day trade, comprar e vender a exata quantidade de ações num mesmo dia é a melhor forma de lucrar no curto prazo.
Ou levar a pior num piscar de olhos. A tentação é grande. Atualmente, o humor instável do mercado financeiro tem propiciado ganhos rápidos. Algumas corretoras resolveram oferecer um incentivo a mais. O Banco 1.Net/InvestShop e a Itautrade, por exemplo, chegaram a reduzir pela metade o ingresso nessa empreitada. Cobram apenas uma taxa de corretagem do cliente que compra e vende ações num só dia. Na Coinvalores os descontos variam conforme a quantidade de dinheiro aplicado, quanto maior, mais barata.
A economia é significativa no resultado final do investimento. Um cliente que faz cinco operações de day trade no Banco 1. Net/ InvestShop, por exemplo, arca apenas com a taxa de corretagem para a compra dos papéis, no valor de R$ 300. A corretora não cobra pelo serviço de venda das ações. Ou seja, paga na entrada mas não na saída. Essa promoção torna o negócio bem mais barato do que um investimento clássico, no qual o cliente precisa desembolsar pelas duas etapas da operação (compra e venda). Aqui começam as diferenças entre os dois tipos de aplicação acionária.
No day trade, os indicadores econômicos das empresas ? vitais para os ganhos dos investimentos de longo prazo ? não contam muito. O que está em jogo é a alta volatilidade (variação dos preços). ?O investidor de um dia não está comprando um ativo, mas sim uma oscilação da cotação?, explica Bruno Padilha, diretor do Banco1.Net/Investshop. Diante desse critério, as blue-chips (ações mais atraentes) do day trade são Embratel, GloboCabo e Telemar, que têm as maiores alterações diárias, podendo chegar a 20% dos seus valores.
No dia 17 deste mês, por exemplo, o investidor que comprou e vendeu os papéis da Telemar acertou em cheio. As ações abriram cotadas em R$ 2,10. No apagar das luzes do pregão, os papéis dispararam para R$ 2,20. A diferença dos preços gerou um lucro de 5% em menos de 24 horas. Com um lote de 100 mil ações, o resultado foi um ganho de R$ 10 mil. No entanto, a receita de sucesso já não funcionou no dia seguinte (18/03), quando a ação da Telemar fez o caminho inverso. Começou com o preço de R$ 2 e caiu para R$ 1,85 no final do dia. A rápida variação ilustra bem os riscos do day trade.
Para aumentar as chances de acerto todo cuidado é pouco. É preciso acompanhar o mercado passo-a-passo. ?Não adianta olhar as cotações pela manhã e arriscar uma venda no meio da tarde?, afirma Robero Nishikava, presidente da Itautrade. Também é fundamental ter paciência para interpretar as análises gráficas fornecidas pelas corretoras. Mesmo com as precauções, o investidor não está livre de cair numa perigosa armadilha do day trade: se empolgar diante dos lucros rápidos. Assim como numa mesa de jogo de cassino, os ganhos podem surgir e evaporar em questão de segundos. Para isso, os analistas têm uma dica. De antemão, você deve estipular um limite para os lucros. Quando o papel atingir a cotação esperada, o melhor é vender rapidamente. Quem contar com a possibilidade de valorização crescente do papel pode ser surpreendido por uma queda repentina nos preços. O mesmo vale para os prejuízos. ?Aceito perder até 5%, se passar disso encerro o negócio. Assim, limito as minhas perdas?, diz Nishikava.