11/05/2001 - 7:00
Há uma espécie de seguro que vem crescendo a taxas astronômicas nos últimos anos. Conhecido como ?seguro de responsabilidade civil?, na prática é nada mais que uma apólice contra advogados ? e suas indenizações milionárias. Ele cobre desde gastos de pessoas físicas (como estragos causados por um vazamento de água que atinge o apartamento de baixo) até as despesas de grandes empresas (como as que uma montadora tem ao fazer um recall de automóveis). O segurado fica protegido contra processos por danos materiais, corporais e até morais. ?Nos últimos anos aumentaram os casos de dano moral?, diz Cláudio Saba, diretor da Marítima Seguros, onde o faturamento dos seguros de responsabilidade civil ainda é pequena (R$ 2 milhões anuais), mas cresceu 233% em dois anos.
Essas apólices ainda são apenas uma curiosidade no mercado nacional ? movimentam R$ 100 milhões por ano, num mercado de R$ 20 bilhões. Mas tendem a crescer em progressão geométrica. Uma das razões para isso é que uma apólice custa 0,10% do valor a ser coberto. Uma pechincha perto de seguros como o de automóvel, que custa 10% do valor do bem. Nos Estados Unidos, onde o risco de ser processado é cada vez maior, esse tipo de proteção é comum. Por isso mesmo, uma das mais importantes clientelas dessas apólices são executivos de empresas que lançam ADRs na bolsa de Nova York. Eles protegem-se contra processos de acionistas estrangeiros. ?O produto não representa 3% do nosso faturamento, mas só tende a crescer?, diz José Ferreira das Neves, diretor técnico da Chubb Seguros. Outra clientela cativa é o setor de saúde. ?Muitos médicos e hospitais estão protegidos contra erro médico?, diz Milton Belizia, diretor da Marítima. O setor em que o seguro de responsabilidade civil está mais difundido é nos condomínios, onde cobre desde acidentes na piscina até objetos atirados pela janela que atinjam um pedestre. Cobre ainda eventos menos comuns, como corridas de Fórmula 1.