04/11/2021 - 15:57
O governo espanhol anunciou nesta quinta-feira(4) um plano de recuperação do Mar Menor (sudeste), uma das maiores lagoas salgadas da Europa, cuja contaminação por resíduos agrícolas já causou repetidas mortandades de peixes.
O plano estabelece um calendário de ações concretas a curto e médio prazo para reduzir as práticas agrícolas nocivas que têm colocado a lagoa “à beira do colapso ecológico”, afirmam os ambientalistas.
“A crise ambiental no Mar Menor é insustentável, os ataques devem ser interrompidos imediatamente”, disse a ministra de Transição Ecológica, Teresa Ribero, anunciando este plano de 382 milhões de euros (cerca de 2,47 bilhões de reais) durante uma visita à região.
Em agosto, milhões de peixes e crustáceos mortos por falta de oxigênio foram encontrados flutuando nesta lagoa na região de Múrcia, que já foi um importante local de férias.
Segundo os cientistas, o principal fator responsável pela falta de oxigênio é a chegada à lagoa de centenas de toneladas de nitratos provenientes dos fertilizantes oriundos da agricultura intensiva de seu entorno.
Com uma área de cerca de 135 km2, o Mar Menor é uma das maiores lagoas costeiras hipersalinas do Mediterrâneo, separada deste mar por uma faixa de areia de 22 km, com profundidade máxima de 7 metros.
O plano terá como foco a redução da carga poluente da água que acaba na lagoa, combatendo a irrigação irregular e restaurando o meio ambiente.
“É o maior esquema de ações e investimentos deste ministério para a recuperação de um determinado enclave natural”, esclareceu o ministro, sobre um plano que será executado entre 2022 e 2026.
Na época, Ribero acusou o governo de Múrcia de ignorar as irregularidades dos fazendeiros do Campo de Cartagena, uma importante área de cultivo ao redor do Mar Menor.
O plano prevê a criação de uma faixa protegida de 1,5 km ao redor da lagoa.
No início de outubro, as ONGs ClientEarth e Ecologistas en Acción denunciaram a Espanha perante a Comissão Europeia sobre a situação do Mar Menor, acusando o Estado de não ter cumprido com suas obrigações decorrentes da legislação ambiental europeia.
Em reação ao anúncio desta quinta-feira à AFP, a Ecologistas en Acción valorizou positivamente a “iniciativa do governo central”, mas disse sentir falta “do envolvimento do governo regional” de Múrcia, apelando a “trabalhar muito para conseguir a coordenação e cooperação entre administrações e com agentes econômicos e sociais”.
