19/07/2000 - 7:00
A empresa que já foi líder do setor de pelúcias no Brasil resume-se hoje a um celular. Desde o fim do ano passado, quando fechou sua sede no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, a Lionella não fabrica mais nada. Entregou toda a produção para terceiros. Seus poucos negócios são feitos, agora, pelo telefone e em visitas aos clientes. O dono da marca, Celso Luís Magalhães, luta há cinco anos para sair do processo de concordata na Justiça. Ele evita falar das dificuldades enfrentadas, mas, na semana passada, por telefone, deu declarações otimistas. Magalhães espera pagar os credores até outubro, mês em que as vendas aumentam com o Dia das Crianças. Não é tarefa fácil. Vai exigir dele esforço especial para renovar o encanto de seus ursinhos de pelúcia, enfraquecidos com a concorrência dos produtos chineses.
O processo de concordata, guardado em uma das prateleiras da 11ª Vara Cível de São Paulo, registra momentos pitorescos destes cinco anos de dificuldades. Um deles é a proposta da empresa de oferecer, como garantia a um dos credores, o Banco de Fortaleza (executado extrajudicialmente), 1.107 ursinhos em troca de uma dívida de R$ 32 mil feita em 1996. A Lionella, segundo explica um empresário do setor de brinquedos, não foi a única a ter problemas. ?A abertura do mercado para os estrangeiros se deu de maneira completamente errada e aleijou muitos fabricantes de brinquedos, principalmente os de pelúcia.?
Concordata. Nas lojas de brinquedos, é possível conferir a mudança drástica sofrida pela antiga líder do mercado. Nas prateleiras seus produtos viraram artigo em extinção. Os personagens de Maurício de Sousa ainda são os raros artigos que exibem a etiqueta da Lionella. ?Estamos negociando a renovação do contrato de licenciamento?, diz Monica Saraiva, diretora da Maurício de Sousa. ?Não vejo problemas em trabalhar com uma empresa concordatária.? Celso Magalhães corre contra o relógio para sobreviver no disputado mundo dos bichinhos de pelúcia e torce para que outros clientes tenham a mesma opinião de Monica Saraiva.