12/01/2001 - 8:00
Donna Karan é a mais prestigiada estilista do planeta. Suas grifes ? a que leva seu nome, dedicada à alta moda, e a DKNY, da linha jovem ? são sucesso de crítica e de público nas passarelas. Nas bolsas de valores, porém, seu desempenho nos últimos três anos foi tão vexaminoso que a empresa está entre a cruz e a caldeirinha. De um lado, o grupo francês LVMH, a maior empresa de produtos de luxo no mercado, fez uma oferta de compra por suas ações por um valor três vezes inferior àquele da época do IPO. Parece ruim, mas é a esperança de salvar a companhia, que já teve garotas-propagandas célebres como a atriz Demi Moore. Por outro lado, uma acionista minoritária abriu um processo contra ela, sob a acusação de induzir investidores a erro. E tenta barrar a venda, alegando também que o preço oferecido é vil.
A aventura da estilista no mundo financeiro começou em 1996, quando ela fez o IPO da Donna Karan International. Vendidas a US$ 24 cada uma, suas ações logo saltaram a US$ 30. O problema é que os papéis eram fumaça. Não incluíam, por exemplo, os direitos sobre a marca ? que ficaram escondidos numa outra empresa, batizada de Gabrielle Studio. Por conta disso, desde a oferta pública, a parte do leão dos lucros da grife vinha sendo transferida para a companhia de gaveta, sangrando os cofres da companhia aberta em US$ 75 milhões. Outros US$ 116 milhões foram pagos à empresa oculta por conta de uma promissória ? cuja existência não era conhecida na época do IPO. Para a companhia vendida em bolsa, ficavam apenas as sobras.
A empresa está naquela situação conhecida na qual os proprietários são ricos e a empresa, falida. Para salvá-la, o grupo francês LVMH fez uma oferta de US$ 8,50 por ação, mais US$ 450 milhões pela companhia que detém a marca. O negócio era tido como certo pelo mercado até o processo dos acionistas minoritários. Agora, o porta-voz de Donna Karan diz que a companhia está ?analisando não apenas a oferta da LVMH, mas todas as propostas viáveis?. Pode vir aí uma outra surpresa.