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Três televisões dividem a atenção de quem visita o escritório de Germán Hartenstein, presidente da ESPN no Brasil. Ligadas o tempo inteiro em programas esportivos, fica difícil não interromper a conversa para prestar atenção em um gol, em uma jogada espetacular de um jogo de basquete ou em uma prova de natação.

Mas Hartenstein não se importa em dividir a atenção do interloculor com a tevê. “É como convidar crianças para visitar uma fábrica de chocolates”, diverte-se. Há 13 anos no comando da filial brasileira da ESPN, ele nunca esteve tão ocupado. A matriz americana está cheia de planos para o Brasil. O primeiro deles é entrar na disputa com outras emissoras pelos direitos de transmissão dos principais torneios nacionais e mundiais.

Outro projeto é o aperfeiçoamento tecnológico, com abertura da transmissão para outras mídias eletrônicas como o celular e a internet. Por fim, o lançamento da revista ESPN, um sucesso editorial nos Estados Unidos que acaba de ganhar uma versão brasileira. Os números são guardados a sete chaves, mas, pelos cálculos do mercado, a emissora fatura R$ 110 milhões no Brasil. Cerca de 30%, algo como R$ 33 milhões, será investido no País em 2009.

O Brasil foi o primeiro País do grupo a ter um canal independente da matriz e com programação exclusiva. ESPN e ESPN Brasil são duas emissoras diferentes, com conteúdo distinto e base própria de assinantes (3,7 milhões de brasileiros têm o conteúdo internacional e 3,3 milhões, o canal 100% brasileiro). “Somando assinantes e seus familiares, conseguimos ser vistos por quase 12 milhões de pessoas”, diz Hartenstein.

Apesar do balanço financeiro não ser público, a operação brasileira é considerada uma das mais rentáveis pela matriz, em Houston. E merece os esforços para se diferenciar. “O canal brasileiro tem os direitos de grandes eventos, uma condição única no mundo da ESPN”, afirma Hartenstein. Entre os direitos de transmissão adquiridos recentemente estão a Liga dos Campeões da Europa, campeonato de clubes mais importante do mundo, e a Copa do Brasil, torneio conquistado em 2009 pelo Corinthians e que bateu recordes de audiência.

O campeonato brasileiro, porém, ainda é exclusividade do SporTV, sua concorrente na tevê paga. “Não ter o Brasileirão exige uma criatividade maior dentro da programação para prender a atenção do telespectador, principalmente com torneios internacionais”, diz Thiago Scuro, especialista em gestão esportiva da Trevisan Escola de Negócios.

A grande aposta da ESPN está na diversificação da mídia. Segundo Hartenstein, o canal precisa estar disponível em todos os lugares. “O momento é de deixar de ser apenas um canal de televisão para se tornar entretenimento em esportes”, afirma o executivo. De olho na mudança de perfil do consumidor, ele quer expandir o conteúdo da ESPN para a internet e o celular.

A ideia é oferecer aos assinantes pacotes de assinatura de jogos específicos ou de torneios inteiros. “O consumidor vai escolher o melhor formato para assistir ao seu esporte preferido”, afirma Hartenstein. O último passo no projeto de tornar a emissora mais conhecida no Brasil é a revista ESPN.

Lançada pela editora Spring, ela terá 50 mil exemplares mensais, com a expectativa de aumentar a tiragem em pouco tempo. A promessa é levar uma cobertura complementar à programação do canal, com perfis de atletas e bastidores do esporte.