Em 1998, o então presidente da BMW do Brasil, Michael Turwitt, cobrava propinas de interessados em montar concessionárias da marca. A matriz, na Alemanha, desconfiava dos negócios escusos do executivo, porém, não tinha provas para incriminá-lo. Então veio a idéia: ?Por que não rastrear a sua história profissional?? Contrataram
uma empresa para checar todas as informações. Sua vida foi revirada da cabeça aos pés. Tudo foi investigado. O curso superior, antigos empregos e até mesmo o seu patrimônio. E não é que algumas informações não batiam? No currículo constava um mestrado na Alemanha: mentira! Mas isso não era o pior. A fraude financeira também foi encontrada. Resultado? Ele foi demitido e saiu do País. O caso foi um alerta: se a empresa tivesse esmiuçado a sua vida antes de contratá-lo, não teria tido todo este problema. Por isso, cada vez mais as companhias procuram o background check, a checagem da vida profissional, antes de recrutar altos executivos. No Brasil, o serviço é feito pelas multinacionais Kroll e Control Risks e sai entre US$ 5 mil e US$ 10 mil.

As empresas que contratam os chamados Sherlock Holmes do mundo corporativo são bancos, seguradoras e grandes companhias como a Petrobras. ?Ao mentir ou omitir qualquer informação sobre o seu passado profissional, o executivo pode colocar a empresa em uma situação difícil?, alerta Rodrigo Squizato, diretor da Kroll. Eis um exemplo: no ano passado, uma empresa da área de tecnologia estava prestes a entrar numa concorrência no setor público. Antes de entregar a proposta, o presidente da companhia lembrou a todos os envolvidos que havia o risco de os currículos serem checados. Na hora, um dos vice-presidentes admitiu que não havia acabado a faculdade. Rapidamente, o nome dele foi excluído da proposta. Vale saber que é possível reverter uma situação como essa no segundo tempo do jogo.

Por isso, há dois tipos de background check: o preventivo e o reativo. O primeiro é feito antes do executivo ser contratado e o segundo é realizado quando ele já está na empresa. ?O reativo é feito sempre que surgem boatos sobre certo executivo?, diz Squizato. A Kroll levanta antecedentes nas empresas onde trabalhou, possíveis ações na Justiça, ficha policial e se o seu patrimônio é maior do que a sua renda permite.

?Existem executivos que mudam de empresa e tiram clientes da antiga companhia?, diz James Wygand, presidente da Control Risks. Este é um dos temores das multinacionais. ?Ninguém chega ao comando de uma empresa sendo coroinha de igreja. Procuramos saber onde o executivo pisou?, explica Wygand.