Invisível, a infra-estrutura para a Nova Economia ganha corpo. O setor movimentou este ano R$ 6,5 bilhões e espera, para o próximo ano, chegar a R$ 15 bilhões no Brasil. Os lucros das operações de Internet ainda estão no horizonte, distantes, mas quem investe em equipamentos para operá-la já tem lucros reais, agora. Os investimentos na rede vêm na velocidade das informações transmitidas via cabos ópticos e movimentam grandes e diversificados negócios. ?A Internet cresceu muito, sem infra-estrutura adequada?, afirma o consultor Marcelo Xavier, da e-Consulting. ?Agora as empresas estão buscando soluções para os problemas gerados pelo crescimento.? Um dos setores que mais recebem investimentos é o de fibras ópticas. Com espessura semelhante a dois fios de cabelo, é a fibra, devido à sua enorme capacidade de transmissão de dados, quem vai amparar o futuro da Web. Só a Telefonica Empresas investiu R$ 400 milhões na construção de suas redes ópticas de transmissão de dados. A concessionária tem 750 mil quilômetros de fibras ópticas espalhadas pelo Estado de São Paulo. Os investimentos da Telefonica são baseados em uma previsão alarmante: até o final do ano que vem, mais de 40% de toda a capacidade de tráfego de telecomunicação instalada no País terá sido absorvida pelos serviços da Internet. ?Em cinco anos, todas as casas do Estado estarão capacitadas para acessar a Internet de alta velocidade?, afirma Yon Moreira Júnior, vice-presidente da Telefonica.

Além das teles, concorrentes naturais deste mercado, uma casta de outras empresas também disputa o setor: os provedores internacionais de serviços de telecomunicação. São companhias como Impsat, AT & T Latin America e MetroRed. Elas conquistaram uma fração do mercado explorando o lapso entre a privatização das teles e a intensificação dos investimentos dos novos controladores privados na ampliação de suas redes. Nessa lacuna, os provedores de serviços especializados chegaram e conseguiram conquistar um mercado cativo. A norte-americana Impsat investiu R$ 376 milhões este ano e, até o final do ano que vem, programou outros R$ 282 milhões. ?Para 2001, vamos instalar mais 1.600 quilômetros de fibra óptica?, afirma Mariano Torre Gómez, diretor da Impsat no Brasil. A expansão indiscriminada da rede de fibra óptica no País abriu as portas para outro negócio: o de equipamentos, como roteadores, que agrupam os dados, reorganizam e os entregam aos usuários do sistema. Há um ano, a Marconi, fabricante inglesa de roteadores, aterrissou no País, para fazer concorrência à Cisco. Os investimentos iniciais foram de R$ 350 milhões e o retorno ainda não veio. Este ano, a empresa ficou com apenas R$ 40 milhões do mercado nacional, que vale R$ 620 milhões. Porém, para o próximo ano, o quadro deve mudar: a Marconi já tem contratos fechados para fornecer equipamentos para Telefonica, Embratel e Telemar. Como a demanda destes equipamentos é grande, outras concorrentes continuam chegando ao País. Este mês, foi a vez da norte-americana Juniper. Nos EUA, em apenas um ano, a empresa conquistou 30% do mercado de roteadores. Apesar de pequena, quando comparada à Cisco e Marconi, a Juniper trouxe na bagagem um grande cliente corporativo ? a WorldCom ? e pretende avançar sobre outros. ?A Telefonica e outras concessionárias estão na nossa mira?, afirma o diretor Davi Caproni.

Outro mercado que está sendo desbravado pelas empresas de infra- estrutura é o de armazenagem de dados. Desde julho deste ano, quando a Telefonica construiu seu primeiro data center, outras nove empresas já anunciaram investimentos semelhantes. Bom para os fabricantes de computadores e periféricos. ?Este mercado deve crescer 70%?, aposta Eduardo Araújo, diretor da Compaq. A empresa fez uma parceria com a integradora de sistemas norte-americana Diveo para a construção de um data center que começa a operar em janeiro. A Compaq forneceu o hardware e a Diveo, o software ? além de operar o data center. Na outra extremidade do mundo da Internet, estão as empresas de software. Voltadas mais para serviços do que produtos, as empresas esperam que a rede gere no Brasil um crescimento de 20% nas vendas. Hoje, o setor está avaliado em R$ 9,5 bilhões. A Oracle, seguindo os passos de Larry Ellison, seu presidente mundial, é uma das pioneiras na prestação dos chamados serviços completos. A empresa oferece desde as chamadas ferramentas de software até profissionais especializados para dar assessoria aos clientes, mas esse empenho ainda não deu resultados contábeis. Isso quer dizer que a Oracle vai tirar o pé do acelerador? Não. ?Serão investidos mais R$ 3,8 bilhões no ano que vem? diz Raul Miyazaki, diretor de negócios na Internet da Oracle. Na Tívoli, braço de software da IBM, a ordem é semelhante: oferecer serviços de fio a pavio. Comprada em 1996 pela IBM, a empresa cresce cerca de 30% ao ano e tem hoje 107 produtos próprios para oferecer aos clientes. Moral da história: as pontocom surgem e desaparecem em ciclos mensais, mas quem segue ganhando dinheiro, grosso, são empresas como IBM, Oracle, Compaq, Telefonica… Logo, a economia pode ser nova, mas seus protagonistas de sucesso não são tão novos assim. Pelo menos na montagem da velha e boa infra-estrutura.