Com vocês, as novas atrações dos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo. Não se trata de papéis novos, que só agora começaram a ser negociados. Ao contrário, muitos deles já reluziram tempos atrás mas tiveram seu brilho ofuscado pelo péssimo desempenho do mercado de ações no ano passado. Agora voltam ao estrelato de carona nas boas perspectivas para a economia brasileira. ?Alguns setores já conseguiram, nos primeiros dois meses do ano, ter uma valorização maior do que toda a queda de 2000?, diz Einar Rivero, da Economática.

A empresa paulista de análise de dados fez um levantamento com exclusividade para DINHEIRO onde apresenta quais são esses setores que recuperaram a fase ruim. Entre eles estão o de mineração (as ações tiveram desvalorização de 9,2% em 2000 e alta de 17,3% até fevereiro) e o de metalurgia (com queda de 2% no ano passado e valorização de 9,6% neste ano).

O segredo para encontrar as melhores opções de negócios é apostar em ações de setores que apenas iniciaram esse percurso de alta. Como o de telecomunicações, que terminou o ano com queda de 10,1% e até fevereiro teve alta de 3,1%. A grande inspiradora do resultado é a telefonia fixa, que faz parte da lista de recomendações da maioria dos analistas. Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável do BankBoston, aponta dois papéis: Telemig (fixa) e Brasil Telecom. Um estudo feito pela equipe do banco americano mostra que a Telemig ainda tem potencial de valorização de 103% e a Brasil Telecom, 60%. ?Na nossa avaliação, o Ibovespa está 42% abaixo do valor justo?, explica Ziegelmann. Ainda na lista da telefonia fixa está a Telemar, empresa que entrou na relação da Bovespa como uma das poucas no Brasil com faturamento bruto superior a R$ 10 bilhões. O faturamento do grupo, formado por um consórcio de brasileiros, foi de R$ 10,852 bilhões. Inferior apenas a outra gigante da Bolsa, a Ambev, cujo resultado foi de R$ 11,282 bilhões.

Mas nenhum setor serve melhor de termômetro do desenvolvimento econômico do País como o de papel e celulose. No ano passado, no entanto, o desempenho na Bolsa foi 21,7% negativo. A estimativa dos analistas é que até o segundo semestre os papéis recuperem a perda. E as grandes estrelas do setor são a Klabin, que atua na área de embalagens, e a Duratex, com foco na construção civil. No setor de alimentos, o papel da Perdigão tem potencial de valorização de 36%, segundo estudo do BankBoston. ?A empresa tem a favor a diversificação das atividades?, conta Marco Aurélio Barbosa, da Coinvalores. A Perdigão está investindo na exportação de aves. O setor de comércio varejista também está na mira dos analistas. Pão de Açúcar e Globex (holding que controla a Ponto Frio) terminaram o primeiro bimestre do ano em queda, -4,6% e -9,3%, respectivamente. Mas ninguém duvida da tendência de alta na medida que o nível de consumo interno aumentar.

Entre os setores que já recuperaram a queda de 2000, um se destaca. A indústria têxtil teve desvalorização de 7,7% e voltou a crescer 21,4% nos primeiros meses do ano. Mesmo assim, continua na lista das recomendações de compra. Isso porque seu desempenho também está altamente relacionado ao poder aquisitivo do brasileiro. ?Mesmo com a alta verificada neste ano, as ações de empresas têxteis ainda não alcançaram o valor estimado?, indica Gregório Mancebo, da Socopa Corretora de Valores. Um exemplo é a Coteminas e a Guararapes. As duas já começaram o ano com alta superior a 20%. É claro, qualquer desses papéis representa uma aplicação de risco. Afinal, ninguém conhece ainda os efeitos das crises das bolsas internacionais por aqui e a tão falada recuperação brasileira está apenas no começo. A aposta só vale mesmo a pena para quem pensa a longo prazo e não está disposto a ficar como mero espectador desse show.