12/02/2015 - 22:55
Estudantes opositores foram às ruas nesta quinta-feira em Caracas e em San Cristóbal (oeste da Venezuela), e pelo menos duas pessoas ficaram levemente feridas, em manifestações um ano depois do início dos sangrentos protestos na capital contra o governo de Nicolás Maduro.
Em San Cristóbal (Táchira), berço dos protestos que deixaram 43 mortos e centenas de feridos entre fevereiro e junho de 2014, uma manifestação de estudantes que se dirigia à sede da Defensoria do Povo terminou em confrontos com as forças de segurança. A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersarlos.
Segundo as autoridades, os distúrbios deixaram um ferido sem gravidade por uma pedra na cabeça. Um fotógrafo da AFP viu outra pessoa ser ferida a tiro. A imprensa local noticia, contudo, outros feridos sem gravidade e vários detidos.
No centro de Caracas, cerca de 200 estudantes opositores tentaram marchar da praça Las Tres Gracias até a igreja San Pedro, ambos pontos adjacentes à Universidade Central da Venezuela. Homens do Batalhão de Choque impediram que chegassem ao destino desejado e, por isso, o grupo se concentrou no campus.
Cerca de 100 estudantes se mobilizaram, gritando palavras de ordem contra Maduro pelo leste da cidade durante a tarde. Nem a chuva inibiu os manifestantes, que levavam imagens das vítimas dos protestos do ano passado. Alguns estavam com o rosto coberto e enfrentaram os agentes com pedras.
O governo ordenou o fechamento de cinco estações do metrô, que coincidem com as rotas percorridas nas manifestações antigovernamentais.
Centenas de simpatizantes do governo também marcharam pelo centro de Caracas para comemorar o Dia da Juventude. No encerramento da atividade oficial, esperava-se um discurso do presidente Maduro, suspenso por causa da chuva.
A origem dos protestos de 2014 contra a insegurança, contra o enfraquecimento da economia (a inflação chegou em 2014 a 64%) e contra a escassez de produtos básicos foi a prisão do líder do partido Vontade Popular, Leopoldo López.
Em 18 de fevereiro, completa-se um ano desde que López, acusado de incentivar a violência nos protestos, entregou-se à justiça em uma grande manifestação. Seu julgamento segue em processo.
Daniel Caballos, que era prefeito de San Cristóbal (oeste), epicentro dos protestos, e que foi detido e destituído de seu cargo acusado de rebelião e conspiração, também continua sob processo judicial.
Aqueles confrontos deixaram centenas de feridos, a maioria com lesões leves, e pessoas intoxicadas pelos gases usados pela polícia. Cerca de 1.500 pessoas foram submetidas a processos judiciais, ou a medidas cautelares. Segundo a Defensoria do Povo, apenas 51 pessoas continuavam detidas até meados de janeiro.