São Paulo, 9 – O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) apresentou, nesta quinta-feira, 9, uma pesquisa detalhado sobre a inflação dos combustíveis e seus efeitos sistêmicos no campo. O estudo, realizado em parceria com a GR Investimentos, revela uma pressão relevante e acelerada sobre os custos operacionais do setor, o que causa um alerta direto para a economia brasileira. A análise mostra que a gasolina de aviação (AVGAS), utilizada em aeronaves com motor a pistão, registrou a maior alta entre os insumos analisados, com um avanço de 67,3%. O preço médio desse combustível saltou de R$ 8,36 para R$ 13,99 o litro, exercendo uma força direta sobre as operações aéreas.

Paralelamente, o querosene de aviação (QAV), combustível essencial para as aeronaves turboélice que representam cerca de 30% da frota nacional, apresentou uma elevação de 51,6%. O valor médio do QAV subiu de R$ 5,58 para R$ 8,46 o litro no período da pesquisa. Em contrapartida, o etanol e o diesel registraram variações mais moderadas, com altas de 6,9% e 7,7%, respectivamente. O etanol, especificamente, tem se mostrado a alternativa mais previsível e estável dentro da operação, movimentando atualmente cerca de 20% da frota aeroagrícola tripulada. Já o diesel, embora apresente um aumento menor, exerce pressão sobre a logística e o suporte em campo, afetando o transporte de equipamentos e o abastecimento das aeronaves.

A estrutura de custos das empresas aeroagrícolas reflete essas oscilações com um aumento operacional que varia entre 14% e 40%, com média aproximada de 25%. Diante desse cenário, o estudo indica que as empresas já necessitam de um repasse superior a 10% nos preços dos serviços para recompor parcialmente as perdas e manter a viabilidade das operações. Essa movimentação tende a se propagar por toda a cadeia produtiva, alcançando a produção de fibras, energia e, principalmente, alimentos. O economista responsável pela pesquisa, Claudio Junior Oliveira, reforça que o aumento dos combustíveis no setor não é apenas um problema setorial, mas um risco direto para a inflação de alimentos no Brasil.

A sensibilidade do sistema produtivo nacional a esses custos é evidenciada pela alta concentração geográfica da frota e da produção. Cerca de 83% da produção agrícola brasileira está concentrada em apenas oito Estados, onde também se encontram 87% das aeronaves agrícolas. Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Minas Gerais lideram a amostra da pesquisa, que abrangeu 30 empresas distribuídas por polos estratégicos. Além disso, o setor atende cadeias exportadoras importantes para o setor; em 2025, os dez principais produtos agropecuários foram responsáveis por mais de 40% das exportações brasileiras, evidenciando como a pressão nos custos aéreos pode afetar a competitividade internacional e a balança comercial.

O Índice de Inflação da Aviação Agrícola (IAVAG) demonstra a volatilidade do período. Após uma queda pontual de 0,85% em fevereiro de 2026, impulsionada pelo câmbio e pela redução temporária do etanol, a tendência se inverteu rapidamente. A estimativa preliminar para março aponta uma alta superior a 6,75%, refletindo o aumento do óleo de aquecimento e a nova valorização cambial. Diante dessa conjuntura, o Sindag tem realizado ações institucionais com o Ministério da Fazenda, Ministério da Agricultura e Casa Civil, solicitando medidas de apoio e subvenção aos combustíveis para conter a escalada inflacionária no setor.